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Economia

Dívidas e preços pesam sobre percepção econômica antes do segundo turno

Endividamento afeta avaliação da economia, embora emprego, renda e expectativa de melhora sustentem indicadores favoráveis ao governo.

Dívidas e preços pesam sobre percepção econômica antes do segundo turno
Foto: Getty Images

O endividamento das famílias e a sensação de que os alimentos continuam caros têm influenciado a avaliação da economia pelos eleitores, mesmo com melhora em emprego, renda e atividade. Esse descompasso ajuda a limitar as intenções de voto em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e coincide com o avanço de Flávio Bolsonaro (PL) na reta final do primeiro turno.

Na última pesquisa Datafolha antes da votação, Lula registrou 47% dos votos totais no segundo turno, ante 46% de Flávio. O resultado configura empate dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. No levantamento anterior, o petista tinha 48%, e o adversário, 45%.

A trajetória de Flávio é ascendente. Em cerca de dez dias, ele avançou de maneira consistente entre grupos considerados mais sensíveis pelo bolsonarismo, como classe média, Sudeste, homens e evangélicos.

A distância entre indicadores e percepção

Para José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, o endividamento tem forte peso na maneira como os eleitores enxergam a economia, apesar dos resultados positivos no mercado de trabalho e na renda. “Essa conta chegou”, afirmou, ao relacionar o quadro à expansão do crédito e da bancarização desde o governo Jair Bolsonaro.

Dados da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) indicam que 82% das famílias tinham dívidas a vencer em agosto, maior nível da série histórica iniciada em 2010. No mesmo mês de 2022, o índice era de 79%. A proporção de famílias inadimplentes chegou a 29,9%.

A pesquisa Datafolha mostra que 45% dos brasileiros classificam a própria situação financeira e familiar como regular. Outros 12% a consideram ruim ou péssima. Embora 43% avaliem sua condição como ótima ou boa, uma parcela semelhante afirma que o dinheiro disponível não basta para manter o orçamento.

Quando a pergunta trata da renda, 34% dizem que o dinheiro recebido pela família não é suficiente e que às vezes falta. Outros 15% relatam renda muito baixa e muitas dificuldades. Somados, os dois grupos representam 49% dos entrevistados com algum grau de insuficiência financeira.

A avaliação é mais negativa entre parcelas amplas do eleitorado. Apenas 36% das pessoas com ensino fundamental consideram sua situação financeira ótima ou boa. O índice fica em 33% entre famílias com renda de até dois salários mínimos e em 32% nas classes D e E.

Expectativa positiva e disputa política

Apesar da avaliação sobre o presente, a expectativa para os próximos 12 meses é mais favorável. A melhora da situação financeira é esperada por 65% dos integrantes das classes D e E e por 62% dos entrevistados com ensino fundamental. No conjunto da população, 71% preveem alguma melhora.

Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, avalia que atividade, emprego e geração de renda oferecem dados capazes de sustentar uma visão positiva sobre a economia. Para ele, porém, a disseminação de notícias sobre dívidas, inadimplência e preços elevados, além de fake news nas redes sociais, dificulta que esses resultados sejam percebidos.

O cientista político Antônio Lavareda afirma que o governo não disputou de modo eficaz a narrativa econômica. Na avaliação dele, a oposição ocupou o espaço ao explorar a permanência dos preços dos alimentos em patamar elevado. Flávio apareceu em supermercados e utilizou spots na internet e na televisão.

Vale também menciona um certo cansaço em relação a Lula e afirma que o presidente foi afetado pela crise envolvendo o STF. O economista descreve o ambiente institucional como um “mini 2013” e resume a avaliação sobre a força dos indicadores econômicos na eleição: “Neste cenário, a economia de Lula pode muito, mas não pode tudo”.

Renda, salário mínimo e cesta básica

Levantamento do economista Bruno Imaizumi, da 4intelligence, aponta melhora no poder de compra do salário mínimo em relação à cesta básica desde 2022. Em agosto de 2026, o salário mínimo de R$ 1.621 correspondia, em São Paulo, à compra de 1,8 cesta básica. Em agosto de 2022, a relação era de 1,62 cesta básica.

O rendimento médio do trabalho no Brasil chegou a R$ 3.777 no trimestre encerrado em agosto. Esse valor equivalia a 4,07 cestas básicas, acima das 3,54 registradas em agosto de 2022.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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