Lula e Flávio Bolsonaro defendem a manutenção do Bolsa Família, mas apresentam propostas diferentes para o futuro do programa. Enquanto Lula fala em ampliar e aperfeiçoar a política de transferência de renda, Flávio concentra suas ideias na qualificação profissional, na inserção no mercado de trabalho e na redução gradual da dependência do Estado.
Criado no primeiro governo Lula, em 2003, o Bolsa Família unificou programas como Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Auxílio Gás e Cartão Alimentação. A política estabeleceu contrapartidas nas áreas de saúde e educação e, atualmente, atende 19,28 milhões de beneficiários, segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.
O programa foi substituído pelo Auxílio Brasil em 2021, durante o governo de Jair Bolsonaro. No ano seguinte, o valor mínimo passou de R$ 400 para R$ 600. Lula retomou o nome Bolsa Família em 2023 e manteve o piso de R$ 600. Em setembro deste ano, o benefício mínimo foi elevado para R$ 691, após reajuste de 15,04%.
Proposta de Lula
Lula apresenta o Bolsa Família como uma das principais políticas de combate à fome e à pobreza. Durante seus dois primeiros mandatos, o programa cresceu de cerca de 3,6 milhões de famílias, em 2003, para 12,8 milhões em 2010.
Em 17 de setembro, o presidente afirmou que pretende manter o benefício enquanto houver pessoas que precisem da transferência de renda. “Enquanto precisar, no meu governo vai ter”, disse em entrevista à Rádio Itatiaia.
No plano de governo para 2026, Lula promete “manter, aperfeiçoar e ampliar” as políticas de proteção social e transferência de renda, sem estabelecer um novo valor para o benefício. O documento também menciona a continuidade da expansão do programa, com destaque para as crianças e os adolescentes.
Dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social indicam que 2,07 milhões de famílias deixaram de receber o Bolsa Família entre janeiro e outubro de 2025 após o aumento da renda. Desse total, 1,32 milhão saíram devido ao crescimento dos ganhos do domicílio, enquanto 726,8 mil concluíram o período previsto pela Regra de Proteção.
Proposta de Flávio
Flávio Bolsonaro passou a defender explicitamente o Bolsa Família em 2026, depois de ser indicado por Jair Bolsonaro como pré-candidato à Presidência. Em fevereiro, afirmou que programas como o Bolsa Família serão mantidos enquanto as pessoas precisarem do Estado. Em junho, chamou o benefício de direito adquirido e defendeu mudanças para evitar que famílias percam a renda imediatamente quando seus ganhos aumentarem.
O senador também afirmou que quase 70% dos beneficiários trabalham informalmente e que parte deles evita a formalização por medo de perder o benefício. Para ele, a política deve garantir estabilidade e, ao mesmo tempo, estimular o emprego formal.
Flávio criticou o reajuste anunciado por Lula, mas disse que manteria o novo valor se fosse eleito. No plano de governo, o Bolsa Família não é citado nominalmente. O documento promete preservar os programas sociais existentes, com aperfeiçoamento da gestão, correção de distorções e combate a fraudes.
A proposta prevê prioridade para beneficiários em programas de qualificação, primeiro emprego e intermediação de mão de obra. Também inclui uma trilha para facilitar a entrada no mercado de trabalho e o retorno ao benefício em caso de desemprego, desde que sejam mantidas as condições de elegibilidade.
O plano de Flávio afirma que manter o programa não basta e o apresenta como uma ponte para o emprego e a autonomia. Atualmente, a obtenção de trabalho formal não implica perda automática do Bolsa Família, porque a Regra de Proteção permite a permanência temporária de famílias cuja renda aumentou, dentro dos critérios estabelecidos.

