NOVA YORK — O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, defendeu a criação de regras internacionais para a inteligência artificial durante discurso na Assembleia Geral da ONU, neste sábado (26). Ele comparou a concentração de poder tecnológico ao risco de deixar armas nucleares sob controle de empresas privadas.
Wadephul afirmou que apenas dois países detêm a maior parte das patentes de IA, o que representa, em sua avaliação, “uma enorme quantidade de influência na mão de muito poucos”. O ministro pediu que os países-membros estabeleçam requisitos comuns de segurança para os modelos mais avançados. “A IA não está esperando que nossas instituições se adaptem”, declarou.
Pressão sobre as instituições internacionais
O chanceler disse que a transformação tecnológica ocorre em um período de dificuldades para a ONU. Sem citar diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ou o país, criticou grandes potências que, segundo ele, acreditam obter vantagem ao ignorar as regras da Carta das Nações Unidas.
Wadephul também defendeu a reforma do Conselho de Segurança e afirmou que a maioria dos 193 países representados na Assembleia Geral será prejudicada caso o direito internacional seja enfraquecido e as instituições sofram ataques. O Brasil está entre os países que compartilham essa reivindicação.
O ministro mencionou ainda a situação no Haiti, no Sudão e na Ucrânia, em guerra com a Rússia desde 2022. Ele afirmou que a Alemanha é a maior apoiadora da Ucrânia em sua defesa contra a agressão russa.
Antes do discurso, Wadephul se reuniu com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov. O encontro durou 20 minutos e foi o primeiro em nível ministerial entre os dois países desde a invasão do território ucraniano. O Kremlin informou que a iniciativa partiu da Alemanha.
Berlim atribui aos serviços de inteligência russos o drone com explosivos encontrado no aeroporto de Leipzig, em agosto. O caso foi abordado na reunião. O primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, inicialmente participaria da sessão em Nova York, mas cancelou a viagem diante da crise de popularidade e de derrotas de seu partido em eleições regionais.


