O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, criticou neste sábado (26) as ações militares dos Estados Unidos na Venezuela e no Irã e acusou países europeus de dificultarem as negociações de paz na Ucrânia. As declarações foram feitas durante discurso na Assembleia Geral da ONU.
Lavrov afirmou que os Estados Unidos invadiram a Venezuela e prenderam o presidente Nicolás Maduro e a mulher dele, Cilia Flores. Segundo o chanceler, os dois estão detidos em uma prisão americana sem julgamento. O processo contra Maduro, que já tem advogado, deve começar em junho de 2027. Ele é acusado pelos EUA de facilitar o tráfico de drogas, entre outros crimes. Lavrov pediu a libertação imediata do presidente venezuelano.
Críticas ao conflito no Irã
O ministro russo também condenou o uso da força para matar Ali Khamenei e integrantes da família do ex-líder supremo do Irã. Lavrov acusou Israel e os Estados Unidos de atingirem instalações civis iranianas, incluindo estruturas nucleares, e disse que a Rússia está disposta a cooperar para estabilizar o estreito de Hormuz, bloqueado por Teerã desde o início da guerra lançada por Donald Trump e Binyamin Netanyahu.
Na parte dedicada à Ucrânia, Lavrov afirmou que aliados de Kiev adotam ações irresponsáveis ao fornecer armas usadas contra a Rússia. Ele acusou os Estados Unidos de terem destruído a segurança europeia e disse que a Europa trabalha para impedir conversas de paz de interesse do governo Trump.
O chanceler russo também defendeu a invasão ao afirmar que a operação militar foi iniciada para proteger pessoas nas regiões anexadas. Lavrov declarou que Moscou continuará lutando até concluir seus objetivos e que as ameaças à segurança russa serão eliminadas.
Após o discurso, Lavrov se reuniu com o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul. O encontro durou 20 minutos e foi o primeiro em nível ministerial entre os dois países desde a invasão do território ucraniano. A iniciativa foi atribuída à Alemanha pelo Kremlin. De acordo com relatos da imprensa alemã, Wadephul pediu que a Rússia abandonasse o caminho da escalada contra a Alemanha, a Europa e a Otan. Também foi discutido o caso de um drone com explosivos encontrado no aeroporto de Leipzig, em agosto, que Berlim atribui aos serviços de inteligência russos.


