NOVA YORK — A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que Caracas pretende reconstruir a relação com Washington por meio de diálogo, negociação e diplomacia. Ela, no entanto, disse que o país não abrirá mão da autonomia para definir seus rumos políticos.
A declaração foi feita durante discurso na Assembleia Geral da ONU, em meio à aproximação entre os governos venezuelano e americano. Rodríguez defendeu que a relação entre os países seja baseada em soberania, respeito e igualdade.
Encontro com Trump
Antes do discurso, Rodríguez se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pela primeira vez desde que assumiu o poder na Venezuela. O encontro ocorreu após a captura do então presidente Nicolás Maduro e de sua esposa em uma operação militar americana realizada em 3 de janeiro.
Segundo Rodríguez, os dois discutiram o fortalecimento das relações bilaterais e uma agenda de cooperação em energia, mineração e segurança. Depois da reunião, ela publicou uma foto com Trump nas redes sociais e afirmou que os governos trataram também de outros temas de interesse comum.
A presidente interina agradeceu ainda o apoio dos Estados Unidos durante a crise provocada pelos terremotos de 2 de junho e a ajuda no processo de reintegração da Venezuela aos espaços multilaterais.
A viagem ocorre enquanto o governo interino tenta ampliar a presença do país em organismos internacionais. Antes da Assembleia Geral, Rodríguez se reuniu com o secretário-geral da ONU, António Guterres.
Investimentos e críticas
Integrantes da delegação venezuelana participaram, nos últimos dias, de conversas com autoridades americanas, empresas, organismos multilaterais e credores. Foram discutidos temas como energia, mineração e dívida pública, em uma tentativa de apresentar a Venezuela como destino para investimentos.
Trump mantém uma relação de trabalho com Rodríguez, que foi vice-presidente durante o governo Maduro. A aproximação é criticada por setores da oposição venezuelana, liderada por María Corina Machado. Os críticos dizem que Washington priorizou acordos econômicos e petrolíferos em detrimento das cobranças por eleições livres.
Durante discurso na Assembleia Geral, Trump chamou Maduro de “ditador fora da lei” e afirmou que centenas de presos políticos foram libertados após a captura do ex-líder venezuelano. Também mencionou a operação militar de janeiro e um acordo petrolífero firmado entre Washington e Caracas no mês passado.
A presença de Rodríguez em Nova York provocou protestos. Mais de 50 manifestantes se reuniram diante da sede da ONU para pedir eleições livres na Venezuela. Os participantes levaram cartazes com as frases “Sem voto, sem petróleo” e “Novo rosto, mesmo regime”. Maduro aguarda julgamento por acusações de narcotráfico em uma prisão federal no Brooklyn, em Nova York.


