CISJORDÂNIA — Três pessoas foram presas depois que mais de cem colonos judeus atacaram a vila palestina de Jalud, perto de Nablus, na noite de segunda-feira (28). A polícia israelense informou as detenções, enquanto as Forças Armadas disseram que os integrantes da família Tubasi não conseguiram voltar para casa por causa da violência.
O retorno havia sido coordenado pelas autoridades, segundo os militares. A família estava desalojada desde julho, após ataques anteriores de colonos. Durante a ação, dois prédios pertencentes aos Tubasi foram incendiados, informou a agência estatal palestina Wafa. O carro da família também foi queimado diante do Exército israelense, de acordo com Shadi Tubasi, cujos pais deveriam voltar à residência.
“Vivemos com muito medo. Sentimos que ninguém pode estar seguro em sua casa em Jalud”, afirmou Shadi.
Os militares disseram que os colonos bloquearam estradas, incendiaram pneus e atiraram pedras contra as forças de segurança. Também relataram incêndios em estruturas pertencentes a palestinos, veículos e outros bens na região. A Wafa informou ainda ataques separados nas proximidades de Ramallah e Al-Mughayyir.
Escalada na Cisjordânia
A Cruz Vermelha alertou nesta terça-feira (29) que a violência, combinada às restrições israelenses à circulação de palestinos e à expansão dos assentamentos, estava tornando “a vida cotidiana insustentável para a população civil” na Cisjordânia.
Dados do OCHA, Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, indicam mais de 1.600 ataques de colonos judeus contra palestinos e suas propriedades neste ano. O número coloca 2026 no caminho para ser o pior ano desde o início do monitoramento, em 2006.
Desde que a coalizão do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu assumiu o poder, em 2022, colonos realizaram mais de 6.100 ataques contra palestinos e seus bens. A violência, junto às restrições de acesso, desalojou mais de 6.500 palestinos e causou o deslocamento total ou parcial de 132 comunidades palestinas na Cisjordânia.
Reações e investigações
O presidente de Israel, Isaac Herzog, condenou o episódio e disse que ele “deve ser enfrentado com todo o rigor da lei”. Netanyahu também afirmou que condenava veementemente a violência.
Grupos de direitos humanos dizem que as Forças de Defesa de Israel raramente impedem os ataques e que apenas uma pequena parcela dos casos termina em condenação. Um estudo do Yesh Din apontou que 94% dos casos de crimes cometidos por israelenses contra palestinos na Cisjordânia, entre 2005 e 2024, foram arquivados sem acusação.
Em 2024, o ministro da Defesa, Israel Katz, determinou que as forças de segurança deixassem de usar contra colonos a detenção administrativa, que permite manter pessoas presas sem julgamento.


