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Internacional

Caixões em forma de guitarra e caneta traduzem histórias de mortos em Gana

Artesãos dos arredores de Acra transformam profissões, paixões e trajetórias pessoais em caixões escultóricos para funerais no país.

Caixões em forma de guitarra e caneta traduzem histórias de mortos em Gana
Foto: Olympia de Maismont/AFP

Em Gana, caixões esculpidos em formatos ligados à vida dos mortos fazem parte de despedidas criativas e pessoais, especialmente nas comunidades dos arredores de Acra. As peças podem representar profissões, paixões e posições sociais, como forma de preservar a identidade de quem morreu.

O músico Frederick Teiko Ofori, que passou grande parte da vida tocando guitarra, foi enterrado em um caixão construído como um enorme instrumento. A família tomou a decisão depois que ele morreu em um acidente de trânsito. O funeral ocorreu no fim de setembro, em Adjen Kotoku Amoama, nos arredores da capital ganesa.

Ofori deixou a esposa, um bebê nascido uma semana antes do funeral e uma trajetória musical interrompida. O caixão foi produzido por Daniel Oblie Mensah, conhecido como Hello, fabricante que há mais de três décadas transforma histórias pessoais em peças de madeira. Mensah, 54, afirma que se entusiasma quando recebe encomendas relacionadas à profissão da pessoa morta, porque entende que assim consegue homenagear também a família.

Profissões transformadas em madeira

A tradição dos chamados caixões figurativos ou de fantasia surgiu entre artesãos dos arredores de Acra em meados do século 20. Sua inspiração inclui as formas elaboradas dos palanquins usados por chefes locais. Pescadores podem ser enterrados em peixes ou canoas; agricultores, em vagens de cacau; motoristas, em carros; e figuras religiosas, em Bíblias.

Em outro funeral, Samuel Commey Tetteh, conhecido como Teacher, recebeu um caixão em forma de caneta. Nascido em 1943, ele deu aulas em Paanor, em Ga Sul, durante mais de meio século, segundo a família. A peça também foi feita por Mensah e levou cerca de duas semanas para ficar pronta.

As oficinas de Acra produzem modelos a partir de fotografias ou de descrições da vida dos mortos. O carpinteiro Lawrence Okoe Anang lembra de um crocodilo encomendado para um sacerdote da região do rio Volta. Na época, Anang ainda aprendia o ofício, iniciado aos dez anos.

Os caixões custam cerca de 10 mil cedis ganeses, aproximadamente R$ 4.900. Modelos destinados a exposições são mais caros, pois usam materiais capazes de resistir durante décadas em museus. Um caixão em forma de guitarra do artista Paa Joe está emprestado ao Museu Metropolitano de Arte de Nova York.

Anang, 26, administra uma oficina com o irmão mais novo e se define como carpinteiro, fabricante de caixões e artista. O trabalho continua dependente de conhecimentos transmitidos entre gerações, mas ferramentas modernas, maior oferta de madeira e encomendas de museus e colecionadores estrangeiros ampliaram o ofício.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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