O Camboja foi o principal destino de brasileiros vítimas de tráfico humano em 2025, com 44 dos 84 casos registrados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. No país asiático, as vítimas são submetidas a trabalho forçado em operações de golpes eletrônicos.
A cooperação entre Brasil e Camboja deverá ser formalizada em um memorando de entendimento entre a Polícia Federal e a Polícia Nacional cambojana. O ministro da Informação do Camboja, Neth Pheaktra, afirmou que os dois países já mantêm ações conjuntas contra golpes online, tráfico de pessoas e outros crimes transnacionais.
O processo está sob análise da assessoria de assuntos internacionais do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A pasta informou que não comenta processos em andamento. A Polícia Federal encaminhou ao ministério os pedidos de esclarecimento.
Sem previsão de repasse financeiro
Documento do Ministério da Justiça e Segurança Pública estabelece que memorandos desse tipo servem para ampliar a cooperação no combate ao crime organizado e na preservação da segurança interna. O instrumento não prevê transferência de recursos e pode ser encerrado por qualquer uma das partes a qualquer momento.
As vítimas chegam ao Camboja após serem atraídas por propostas falsas de emprego, com promessas de salários elevados, moradia, alimentação e passagens aéreas. Depois da chegada, os passaportes são retidos e as pessoas são obrigadas a cumprir jornadas exaustivas na execução de fraudes eletrônicas. Há relatos de espancamentos, choques, privação de comida e assédio sexual.
O governo cambojano ampliou a repressão aos chamados complexos de golpe, onde vítimas são mantidas privadas de liberdade. De julho de 2025 a julho de 2026, foram investigados 751 endereços ligados a essas estruturas, com 605 fechamentos. Ao menos 21,6 mil estrangeiros de 38 nacionalidades foram resgatados e tiveram a repatriação processada. Outros 388 casos relacionados a golpes eletrônicos chegaram à Justiça.
Pheaktra também declarou que a cooperação bilateral inclui a repatriação de brasileiros e casos de cidadãos do país detidos no Camboja. O Itamaraty afirmou que o enfrentamento ao tráfico de pessoas é uma prioridade da política externa brasileira e que o tema é tratado com autoridades de países onde há registro de redes que aliciam brasileiros.
O Camboja informou ainda ter ampliado sua legislação com a Lei de Combate a Golpes Viabilizados por Tecnologia. A medida busca atingir os responsáveis pelas operações e as redes financeiras associadas, incluindo o rastreamento e a apreensão dos recursos obtidos com os crimes.


