NOVA YORK — O escritório do promotor do distrito do condado de Tompkins decidiu retomar a investigação sobre um suposto estupro coletivo envolvendo estudantes da Universidade de Cornell. Matthew Van Houten afirmou que pretende apresentar acusações criminais contra os sete homens apontados no caso.
A investigação havia sido encerrada em 2024. Na ocasião, o escritório concluiu que o depoimento da suposta vítima não demonstrava falta de consentimento. Segundo Van Houten, novas alegações apresentadas posteriormente levaram à mudança de posição.
Em comunicado, o promotor reconheceu que vítimas de agressões sexuais podem levar tempo para compreender o que ocorreu e buscar recuperação. "Reconheço a realidade de que vítimas de agressões sexuais podem precisar de anos de terapia e recuperação para processar plenamente e compreender o que lhes aconteceu", afirmou.
Ação civil
A suposta vítima relatou, em uma ação civil apresentada este mês, que foi drogada com cetamina, agredida e estuprada por sete integrantes da fraternidade Chi Phi, associação social voltada a estudantes homens de Cornell. A mulher não teve a identidade divulgada.
A queixa, com 101 páginas, foi apresentada em Nova York e pede indenização financeira à universidade e aos sete suspeitos. O documento afirma que a vítima sofreu "graves transtornos emocionais e psicológicos".
Cornell fechou a fraternidade e suspendeu temporariamente os estudantes envolvidos. Vários deles foram expulsos posteriormente. A instituição também passou a ser acusada de não ter aplicado punições adequadas, depois que novos detalhes do suposto episódio se tornaram públicos.
Kyle Kimball, vice-presidente de relações universitárias de Cornell, disse que a universidade apoia a reabertura da investigação. Ele negou, porém, a alegação de que os suspeitos teriam recebido a possibilidade de escrever redações como forma de reparar a conduta.
O caso foi condenado publicamente pela atriz britânica Florence Pugh e pela deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez.


