NASHVILLE — A execução de Christa Pike foi adiada enquanto um tribunal federal de apelações examina argumentos apresentados pela defesa. A análise envolve alegações de abuso sexual e estupro sofridos por Pike durante a infância e a possibilidade de que essas informações não tenham sido consideradas integralmente na aplicação da pena de morte.
A ordem foi emitida por volta das 9h da manhã, no horário central, quando as testemunhas já estavam reunidas na Instituição de Segurança Máxima de Riverbend, em Nashville. Ainda não está claro se o procurador-geral do Tennessee recorrerá. Um porta-voz do gabinete não havia respondido aos pedidos de comentário.
Argumentos da defesa
Pike tem atualmente 50 anos e foi condenada pela morte de Colleen Slemmer, de 19 anos. As duas eram colegas, assim como o namorado de Pike, em uma instituição de treinamento profissional em Knoxville. O crime aconteceu em 1995, quando Pike tinha 18 anos.
Pike não nega ter cometido o assassinato. Seus apoiadores afirmam que a sentença deveria considerar a idade dela na época, uma doença mental e um histórico de abusos sexuais graves, que incluíam estupros desde quando ela era bebê.
O defensor público federal adjunto Stephen Ferrell afirmou que a pena de morte representa uma exceção, porque sentenças de outros jovens de 18 anos condenados à morte no Tennessee foram anuladas.
O governador Bill Lee negou o pedido de clemência de Pike na segunda-feira (28). Em uma declaração incluída no pedido, Pike escreveu: “Eu era uma jovem de 18 anos com doença mental.” Ela também disse que levou anos para compreender a gravidade do crime e reconhecer o impacto sobre as pessoas atingidas.
Crime em Knoxville
Os promotores disseram que Pike atraiu Slemmer para uma área de mata em 12 de janeiro de 1995 porque temia que a colega tentasse roubar seu namorado. Segundo a acusação, Pike cortou Slemmer com um estilete e a espancou com um grande pedaço de asfalto.
O namorado, Shipp, admitiu ter esculpido no corpo da vítima um pentagrama, símbolo associado ao satanismo. Ele tinha 17 anos quando o crime ocorreu e recebeu prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional. O caso alimentou temores de culto satânico durante o chamado “pânico satânico” das décadas de 1980 e 1990.
A mãe de Slemmer, May Martinez, disse que esperava havia décadas pelo cumprimento da sentença. Ela afirmou ainda que um grupo arrecadou dinheiro para que ela e o marido viajassem da Flórida ao Tennessee e acompanhassem a execução.
Execuções de mulheres
Segundo Robin M. Maher, diretora-executiva do Death Penalty Information Center, o Tennessee não executa uma mulher há pelo menos 200 anos. Registros antigos podem estar incompletos, o que dificulta determinar com precisão quando ocorreu a última execução de uma mulher no estado.
Desde 1976, 18 mulheres foram executadas nos Estados Unidos, cerca de 1% do total, segundo o centro. Em 2023, o Missouri executou Amber McLaughlin pelo assassinato cometido em 2003. Em 2021, o governo federal executou Lisa Montgomery, na primeira execução de uma mulher pelo governo dos Estados Unidos em quase sete décadas.


