O exame de DNA que excluiu Douglas Stewart Carter de materiais recolhidos no local do crime levou um juiz de Utah, nos Estados Unidos, a autorizar sua libertação sob fiança. Carter, 71, passou 41 anos no corredor da morte pela condenação relacionada ao assassinato de Eva Olesen, cometido em 1985.
A análise recebida em 22 de setembro apontou que o sangue encontrado em uma maçaneta e o material genético retirado do cabo da faca usada no crime não pertencem a Carter. O juiz Derek Pullan afirmou que o resultado enfraquece ainda mais a acusação, embora tenha avaliado que um júri ainda poderia considerar as provas existentes suficientes para concluir que Carter matou Olesen.
Condições e novo julgamento
Carter deverá usar uma tornozeleira eletrônica e não poderá manter contato com familiares de Olesen. A defesa informou que ele ficará em uma acomodação próxima da família de seu filho, que foi adotado ainda bebê por outra família e só descobriu a condenação anos depois.
Os promotores do condado de Utah retiraram, na semana passada, a notificação de que pretendiam pedir novamente a pena de morte. O novo julgamento está marcado para 2027. Os promotores disseram que os resultados da análise chegaram na semana passada, mas não informaram se usarão o material para procurar outros suspeitos compatíveis.
Testemunhas e revisão do caso
Carter sempre declarou inocência e afirmou que foi coagido a assinar uma confissão. A condenação se baseou nesse documento e no depoimento de duas testemunhas, que disseram que ele havia se vangloriado de matar Olesen. Não havia evidências materiais que o ligassem à cena.
Em 2011, as principais testemunhas da acusação foram encontradas no México. Elas disseram que foram orientadas a mentir no julgamento e receberam dinheiro e presentes de policiais. Também relataram ameaças de deportação contra elas e um de seus filhos caso não incriminassem Carter.
A disputa judicial durou mais de uma década, até a Suprema Corte estadual determinar, no ano passado, um novo julgamento por causa de conduta imprópria de investigadores. Carter, natural de Chicago, morava com a mãe em Utah quando Olesen foi assassinada, em 27 de fevereiro de 1985. A defesa diz que testemunhas viram um homem branco fugir e que um investigador escondeu provas que apontavam para outros suspeitos, entre eles o marido da vítima, Orla Olesen.


