A China ganhou espaço nas negociações entre Irã e Estados Unidos durante a visita de Estado de Xi Jinping a Donald Trump. Enquanto Teerã apresentou um plano para encerrar o conflito, reabrir o estreito de Hormuz e discutir seu programa nuclear, Pequim defendeu na Assembleia Geral da ONU o cumprimento dos termos da trégua assinada entre os dois países em 17 de junho.
O movimento ocorreu a partir de quinta (24), paralelamente à agenda de Xi nos Estados Unidos. O Irã também indicou disposição para retomar as conversas, em um momento de desgaste provocado pelo embargo naval americano no Golfo Pérsico. A China é a principal sustentação econômica de Teerã e comprava 90% do petróleo iraniano antes da guerra.
O encontro entre Xi e Trump
A reunião entre os líderes durou três horas e ocorreu em meio à disputa tarifária, à rivalidade entre as duas potências e à participação de ambos nos dois principais conflitos ativos do mundo. A viagem foi a primeira visita de Estado de Xi aos Estados Unidos desde 2015, descontado o encontro com Trump em Mar-a-Lago, em 2017.
Não houve anúncio de avanços relevantes nem demonstração pública de ruptura. Os dois governos concordaram e divergiram em proporções semelhantes, enquanto Trump tratou Xi como um competidor de mesmo nível. Para o líder chinês, a ausência de confronto aberto é útil diante do agravamento da crise econômica causada pelo estouro da bolha imobiliária chinesa.
Xi também alertou para o risco de a rivalidade entre os países evoluir para um conflito militar. O dirigente chinês afirmou que esse cenário seria prejudicial aos negócios. A China possui mais de 600 ogivas nucleares.
Pressão sobre o petróleo iraniano
A influência de Pequim sobre Teerã pode ter contribuído para a reabertura presumida das negociações. Nenhum outro país tem, segundo a avaliação apresentada, o mesmo peso sobre os negociadores iranianos. A China, por sua vez, pode ser afetada pela redução da oferta de petróleo do país.
Pequim manteve um estoque robusto do produto iraniano, mas analistas estimam que a escassez poderá atingir um nível crítico já em 2027. Se houver normalização no Oriente Médio, Xi estará entre os principais beneficiados diplomaticamente.
Na Guerra da Ucrânia, a possibilidade de avanço nas conversas diplomáticas nesta semana parece estar mais ligada aos esforços de Trump do que à visita de Xi. A China teria menos a perder ao manter seu alinhamento com Moscou nesse tema.


