O ex-prefeito de Wuhan, na China, Zhou Xianwang foi condenado a 14 anos de prisão por corrupção. A sentença foi anunciada nesta segunda-feira (12) pelo Tribunal Popular Intermediário de Shangqiu, na província de Henan. Ele também deverá pagar multa de 5 milhões de yuans (cerca de R$ 3,7 milhões).
De acordo com a decisão, Zhou recebeu subornos superiores a 60,5 milhões de yuans (R$ 45 milhões). O tribunal afirmou que os pagamentos ocorreram entre 2003 e 2025, período em que ele ocupou diferentes funções na província de Hubei.
A corte informou que o ex-prefeito usou os cargos para favorecer empresas e indivíduos em operações comerciais e processos de aprovação administrativa. Em troca, recebeu dinheiro e bens de alto valor. O tribunal classificou o montante envolvido como “especialmente elevada”, mas reduziu a pena porque Zhou confessou os crimes, colaborou com as autoridades e teve recuperada a maior parte dos recursos obtidos ilegalmente.
Zhou estava sob investigação desde julho de 2024 por supostas “graves violações da disciplina e da lei”, expressão usada pelas autoridades chinesas em casos de corrupção. A decisão judicial não relaciona a condenação à crise sanitária provocada pela Covid-19 e trata apenas das acusações de suborno.
Atuação durante a pandemia
Wuhan foi a cidade onde ocorreu o primeiro surto conhecido de Covid-19. Zhou recebeu críticas pela condução dos primeiros momentos da pandemia e afirmou, em entrevistas após o início da crise, que governos locais chineses não podiam divulgar informações sobre doenças infecciosas sem autorização das autoridades centrais.
Os primeiros casos surgiram em Wuhan em dezembro de 2019. Em 23 de janeiro de 2020, com o aumento das infecções, a cidade entrou em lockdown, que durou 76 dias.
A demora na comunicação do caso às autoridades foi alvo de críticas. Estudos publicados em 2022 indicaram que o início da pandemia ocorreu em um mercado da cidade. O texto da decisão que condenou Zhou, porém, não faz menção à crise sanitária.


