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Internacional

Falha em execução no Tennessee leva governo a suspender mortes no estado

Christa Pike continuou respirando após duas doses de pentobarbital; autoridades determinaram revisão dos procedimentos.

Falha em execução no Tennessee leva governo a suspender mortes no estado

Uma execução no Tennessee foi interrompida depois que Christa Pike, de 50 anos, continuou respirando e roncando após receber duas doses de pentobarbital. O governador Bill Lee suspendeu as execuções no estado e determinou uma revisão independente dos procedimentos. Neste sábado (3), o chefe do sistema prisional do Tennessee foi retirado do cargo.

Pike está internada e recebe cuidados para salvar sua vida, informou seu advogado. A tentativa ocorreu na noite de 30 de setembro.

Relato de um repórter que acompanhou execuções

Michael Graczyk, de 76 anos, acompanhou quase 500 execuções no Texas durante seus 46 anos na agência Associated Press (AP). Mesmo depois de se aposentar da agência, em 2018, ele continuou trabalhando como freelancer e cobrindo execuções no estado onde mora.

Graczyk contou que já viu duas situações em que as agulhas precisaram ser retiradas e inseridas novamente para que a execução prosseguisse. Nunca, porém, havia presenciado um preso sobreviver depois da aplicação da injeção. “Para mim, era só uma questão de tempo”, disse.

O protocolo do Tennessee prevê um segundo conjunto de seringas com pentobarbital caso a primeira aplicação não provoque a morte. As regras, contudo, não especificam como agir se a pessoa continuar viva após a segunda dose.

O Death Penalty Information Center define uma execução malsucedida como aquela marcada por problemas ou atrasos inesperados que possam ter causado sofrimento desnecessário ao preso ou revelem grave incompetência do executor. A organização contabilizou 64 casos desse tipo desde 1982. Em 51 deles, o método foi a injeção letal; em pelo menos sete, a execução foi interrompida porque não foi possível inserir a via intravenosa.

A injeção letal é o método mais usado nos 27 estados americanos onde a pena de morte é legal. A escassez dos medicamentos levou alguns estados, na última década, a alterar fórmulas ou buscar substâncias em fontes consideradas mais duvidosas. Alguns também retomaram o fuzilamento como alternativa.

A experiência no Texas

O Texas não permite que observadores acompanhem a inserção da via intravenosa na câmara de execução. Quando os observadores entram, o preso já está conectado, segundo Graczyk. A via costuma ser colocada na dobra do braço, mas pode ser inserida no dorso da mão, na perna, no pescoço ou em outros pontos quando o procedimento não funciona.

De acordo com o repórter, em execuções bem-sucedidas os presos ficam visivelmente inconscientes em poucos segundos e, em geral, são declarados mortos entre 20 e 40 minutos após a dose fatal.

O Texas realizou 602 execuções, o maior número entre os estados americanos, segundo o Death Penalty Information Center. Em 1982, tornou-se o primeiro estado dos Estados Unidos a utilizar a injeção letal. Desde 1976, quando a Suprema Corte dos EUA restabeleceu a pena de morte, foram registradas 1.683 execuções no país.

Graczyk também recordou a execução de Jonathan Nobles, no Texas, em 1998. Nobles havia sido condenado pelo assassinato, a facadas, de Kelley Fraquhar e Mitzi Johnson-Nalley, em Austin, em 1986. Suas últimas palavras foram a canção Silent Night, conhecida em português como Noite Feliz. Segundo o repórter, ele parou de cantar quando o medicamento fez efeito.

A vítima do caso

A vítima de Pike foi Colleen Slemmer, de 19 anos, natural da Flórida. Amigos e familiares a descreviam como uma jovem que gostava de andar de patins, sorrir e ajudar outras pessoas.

Pike tinha 18 anos quando participou do crime com Tadaryl Shipp, seu namorado na época. Os três haviam se conhecido em um campo de capacitação profissional. Slemmer foi torturada e morta pelos dois, de acordo com as informações apresentadas no caso.

May Martinez, mãe de Slemmer, estava no Tennessee durante a tentativa de execução. Depois, descreveu o procedimento como “uma bagunça”.

Graczyk afirmou que considera importante a presença de alguém sem interesse no desfecho de um processo para acompanhar a aplicação da lei e relatar o que ocorreu. Ele disse sentir responsabilidade especial de não deixar as vítimas serem esquecidas na cobertura das execuções.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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