O filme Feito Pipa, dirigido por Allan Deberton, foi escolhido nesta quarta-feira, 16, pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil na disputa por uma indicação ao Oscar. Exibido no Festival de Gramado e em outros eventos internacionais, o longa já recebeu avaliações de críticos estrangeiros.
A história acompanha Gugu, interpretado por Yuri Gomes, um garoto que sonha em ser jogador de futebol e enfrenta a rejeição de colegas e familiares por sua personalidade delicada. Ele vive com a avó doente, Dilma, papel de Teca Pereira, e tenta protegê-la para não precisar morar com o pai, descrito como preconceituoso e interpretado por Lázaro Ramos.
O crítico Murtada Elfadl classificou a produção como “uma história de amadurecimento queer radiante”. Também destacou a construção do protagonista pelo roteirista André Araújo e afirmou que Gugu combina originalidade com características reconhecíveis, além de demonstrar coragem, singularidade e determinação na relação com a avó.
A atuação de Yuri Gomes foi apontada como um dos acertos do filme. A avaliação ressaltou a presença de garra, dor e vivacidade no trabalho do ator mirim.
Outro comentário sobre a direção observou que Deberton mantém a câmera próxima dos atores e valoriza pequenos gestos. Essa escolha faria com que a ternura aparecesse em ações sutis, sem depender de discursos, e daria à narrativa uma dimensão emocional palpável.
Na Alemanha, uma avaliação considerou que o longa retrata de forma convincente a realidade de uma criança queer em circunstâncias familiares difíceis. O elenco principal também foi destacado. No Festival de Berlim, o filme recebeu o prêmio do júri da mostra Generation Kplus, dedicada a produções sobre infância e juventude.
Feito Pipa estreia nos cinemas brasileiros em 5 de novembro. Antes disso, será exibido no Festival do Rio, em outubro.


