PARIS — O governo francês deverá apresentar até o fim de outubro propostas para atender reivindicações de estudantes que protestam em várias regiões do país. A determinação foi dada pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu, que citou a falta de professores, a duração do período escolar e as condições de prédios antigos entre os pontos a serem analisados.
As manifestações começaram em setembro, na região de Paris, e se espalharam entre alunos de todo o país. Nesta terça-feira (6), a União dos Estudantes do Ensino Médio informou que 1.800 escolas estavam bloqueadas ou fechariam durante o dia. A maior concentração estava prevista para Paris à tarde.
Violência e resposta policial
Lecornu falou no Parlamento e rejeitou a possibilidade de tolerância para atos violentos. Ele também negou que o governo tenha determinado uma política de repressão policial. “Incendiar uma escola secundária não melhora o estado dos edifícios escolares”, afirmou o primeiro-ministro, ao criticar episódios de vandalismo e agressões contra professores.
Os protestos ocorreram de forma pacífica no início da manhã em Marselha, Nantes e Lyon. Em Estrasburgo, Lyon e Rennes, porém, houve confrontos, com uso de gás lacrimogêneo pela polícia. Manifestantes atearam fogo nas ruas e lançaram projéteis.
Na segunda-feira (5), um estudante de 15 anos perdeu a mão em Lens, no norte da França. Conforme uma fonte ligada ao sindicato dos policiais, ele pegou uma granada de efeito moral, que explodiu quando tentava lançá-la de volta contra os agentes.
Reivindicações e detenções
Os alunos reclamam de jornadas consideradas longas, salas de aula com condições inadequadas, especialmente durante o verão, e ausências frequentes de professores. Entre as medidas solicitadas estão a substituição de docentes faltosos, a revisão do horário escolar, hoje das 8h às 18h, e intervalos de almoço mais extensos.
O Ministério do Interior informou que 6.100 pessoas foram presas desde o início dos protestos, em sua maioria menores de idade. O Ministério da Justiça registrou mais de 1.800 processos, incluindo 1.483 menores. Segundo o gabinete do primeiro-ministro, ao menos 715 policiais e 215 adolescentes ficaram feridos.
As manifestações provocaram uma crise política para o governo de Emmanuel Macron. O presidente reconhece oficialmente a legitimidade das reivindicações, mas se opõe à violência.
