RIAD — As operações foram retomadas nos aeroportos sauditas atingidos por ataques com mísseis e drones lançados pelos houthis do Iêmen. O governo da Arábia Saudita confirmou danos limitados e informou que ao menos três pessoas ficaram feridas.
As ações ocorreram entre a noite de segunda-feira (5) e esta terça-feira (6). O grupo afirmou ter atingido o aeroporto da capital, Riad, além de Abha, Najran e Jazan, três aeródromos no sul do país, próximos à fronteira com o Iêmen. O governo saudita confirmou os ataques em Abha e Jazan.
Na véspera, os houthis haviam declarado o espaço aéreo saudita um teatro de operações. O grupo advertiu empresas estrangeiras que operam na região, incluindo companhias europeias e do Oriente Médio, de que seus aviões poderiam correr riscos.
Disputa no Iêmen
Os houthis controlam o oeste do Iêmen desde a guerra civil iniciada em 2014 e são apoiados pelo Irã. A Arábia Saudita apoia o governo iemenita expulso da capital, Sanaa.
Desde a semana passada, forças sauditas e do governo iemenita retomaram a iniciativa no conflito, depois de uma ofensiva houthi avançar por toda a costa do país no mar Vermelho. Os rebeldes tentaram controlar sua margem do estreito de Bab el-Mandeb e interromper o comércio de petróleo saudita pela passagem, que liga o mar ao oceano Índico.
De acordo com o governo reconhecido do Iêmen e com dados de monitores de informações abertas, os houthis parecem ter perdido o controle de Mocha e Dhubab. O porta-voz militar do grupo, Yahya Saree, negou a perda e afirmou no Telegram que os rebeldes mantêm “controle total sobre seus avanços em campo”. Os combates continuam, acompanhados de bombardeios de caças sauditas.
A crise ocorre no contexto de uma guerra mais ampla no Oriente Médio, cuja etapa atual começou após um ataque dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã em fevereiro. O conflito está congelado, mas não foi concluído. Teerã conta com seus aliados no Iêmen para manter pressão econômica sobre Donald Trump.
Na segunda-feira, a Arábia Saudita pediu pela primeira vez ajuda militar ao Paquistão e à Turquia, parceiros reunidos pelo Acordo de Meca, assinado em setembro. Os três países disseram que Ancara e Islamabad enviariam forças para o território saudita. O Paquistão já mantém 8.000 soldados e um esquadrão de caças no país, conforme um pacto militar firmado com Riad no ano passado.


