O Parlamento da Lituânia aprovou uma medida que permite retirar da Constituição a proibição de armas nucleares no país. Foram 106 votos favoráveis, de 141 possíveis. A alteração, porém, ainda precisará ser confirmada em uma segunda votação, marcada para 12 de janeiro.
Integrante da Otan e vizinha da Rússia, a Lituânia está entre os países que se consideram mais expostos a uma eventual ampliação da guerra na Ucrânia. A preocupação também alcança os demais países bálticos, que temem uma invasão russa.
O presidente Gitanas Nauseda afirmou em julho que os partidos políticos haviam alcançado um acordo para suspender a proibição. Na ocasião, ele disse que não havia planos imediatos para manter armas nucleares em território lituano. Segundo Nauseda, a mudança permitiria ao país tomar medidas caso o cenário de segurança se alterasse.
O presidente também declarou que a Lituânia continuaria como signatária do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares.
Reação do Kremlin
O Kremlin afirmou nesta terça que a iniciativa poderia abrir uma nova fase de tensão na região. O governo russo também mencionou a possibilidade de os Estados Unidos instalarem armas nucleares na Lituânia e disse que seria obrigado a agir para preservar sua segurança nacional.
“Isso não pode ser visto como outra coisa senão um passo em direção à escalada das tensões”, afirmou Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, ao comentar uma eventual aproximação da infraestrutura militar americana das fronteiras russas.
Peskov acrescentou que a instalação de armas nucleares em um país vizinho também prejudicaria a estabilidade e a previsibilidade na Europa, representando uma nova escalada das tensões.
Desde 2019, os Estados Unidos mantêm na Lituânia um batalhão blindado com quase 1.000 militares. As tropas atuam em rotações alternadas e chegam ao país ou deixam seu território a cada poucos meses.


