A Rússia afirmou à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que poderá usar armas nucleares para defender Kaliningrado se a aliança tentar separar o território do restante do país. O enclave russo fica entre a Polônia e a Lituânia, às margens do Mar Báltico, e é fortemente militarizado.
A advertência foi apresentada em um documento diplomático informal, classificado como “non-paper”. Moscou acusou a Otan de seguir um “caminho perigoso e imprudente”, capaz de elevar os riscos de um conflito armado direto. O material também menciona a possibilidade de ataques russos contra centros de tomada de decisão de países membros da aliança no início de um eventual confronto.
“A Rússia estará pronta para utilizar todo o arsenal de forças e recursos à sua disposição, incluindo armas nucleares”, afirma o documento, ao tratar de uma eventual tentativa de isolar Kaliningrado.
Resposta da Otan
A porta-voz da Otan, Allison Hart, confirmou o envio do documento, mas não divulgou seu conteúdo. Ela disse que a aliança respondeu que é defensiva e que suas atividades e exercícios não representam risco para nenhuma parte da Rússia. Também condenou a ameaça de uso da força, incluindo a retórica nuclear, e pediu que Moscou encerre sua guerra na Ucrânia.
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, defendeu que a aliança mantenha a calma e continue suas atividades. Ele também pediu o fim das ameaças de uso de armas nucleares.
As embaixadas russas em pelo menos três países europeus fizeram declarações nos últimos três dias acusando a Otan de ampliar as tensões por meio de exercícios militares e do planejamento de cenários envolvendo Kaliningrado. Moscou negou que pretenda atacar países da aliança, mas afirmou que qualquer agressão contra o enclave receberia a resposta “mais enérgica possível”.
A Rússia também rejeitou as acusações de que represente uma ameaça à Europa ou de que esteja se preparando para atacar um país da Otan. Governos europeus acusam Moscou de intensificar uma “guerra híbrida”, com ações como sabotagem e incêndios criminosos, o que também é negado pelo governo russo.
Uma autoridade europeia de alto escalão da área de defesa classificou a ameaça como grave. Um diplomata da Otan disse que o documento tenta intimidar países europeus e afirmou que a resposta da aliança foi firme e responsável.


