O Japão pediu à Organização das Nações Unidas (ONU) a correção de um mapa-múndi recém-adotado pela entidade. O governo japonês afirma que a representação visual das Ilhas Curilas sugere que o arquipélago pertence à Rússia. No Japão, as ilhas são chamadas de Territórios do Norte.
A Assembleia-Geral da ONU aprovou na última sexta-feira (4) uma resolução para incentivar um mapa mais proporcional às dimensões reais dos continentes. A proposta substitui a projeção de Mercator, que amplia visualmente regiões em latitudes elevadas e reduz, em comparação, áreas próximas ao Equador.
No novo modelo, África, América Latina, sul da Ásia e Oceania aparecem maiores. O Japão esteve entre os 164 países que apoiaram a resolução, mas apresentou uma objeção depois de observar que as Ilhas Curilas foram representadas com a mesma cor usada para a Rússia.
O porta-voz do governo japonês, Minoru Kihara, disse que o mapa “inclui uma representação que contradiz a posição do governo japonês”. Ele afirmou que Tóquio encaminhou um protesto, por canais diplomáticos, ao responsável pelo site que exibe o mapa e pediu a correção da imagem. Kihara também declarou que o Japão deve evitar a divulgação de interpretações incorretas sobre seus territórios e nomes geográficos.
As ilhas foram ocupadas pela então União Soviética em 1945, quando a população japonesa foi expulsa. As relações entre Japão e Rússia se deterioraram no mês passado, após uma visita surpresa de Vladimir Putin ao arquipélago, a primeira do presidente russo ao local.
O governo japonês convocou o embaixador russo em resposta à visita. A primeira-ministra Sanae Takaichi classificou a viagem como “absolutamente inaceitável”.
A projeção de Mercator foi criada para representar um globo tridimensional em uma superfície plana, mas altera proporcionalmente o tamanho das regiões. Em 2018, cartógrafos lançaram a projeção Equal Earth, desenvolvida para mostrar de maneira mais proporcional as dimensões de diferentes continentes e regiões.
