GREENFIELD — O Last Ditch permaneceu fechado no início da noite de sábado (26), quando moradores foram ao local para apoiar o bar lésbico, que enfrenta dificuldades financeiras. A abertura estava prevista para as 22h, e uma placa informava que uma reunião ocorria no interior do estabelecimento.
O bar, instalado no subsolo de um restaurante mexicano, tornou-se conhecido fora dos Estados Unidos após a divulgação de seu plano de tornar opcional o uso de máscaras nas noites de sábado. A medida foi anunciada nas redes sociais em 31 de agosto, depois de uma queda no movimento e com o objetivo de ampliar a clientela.
Disputa sobre a política de máscaras
Desde a inauguração, em 2025, o Last Ditch exige máscaras KN95 ou de proteção superior de seus frequentadores. A regra foi mantida mesmo com a redução do uso desse tipo de cobertura facial em grande parte do país.
A política já havia provocado discussões nas redes sociais antes da abertura. Uma pessoa disse que se sentia excluída de espaços queer por ser deficiente e imunocomprometida. Outra sugeriu uma noite semanal com máscaras opcionais, enquanto uma terceira questionou se isso significaria que pessoas com deficiência ou de alto risco não seriam bem-vindas.
A controvérsia aumentou depois de uma reunião descrita como acalorada e hostil, com duração de horas, entre frequentadores e a proprietária. O debate tratou da missão do bar de acolher diferentes públicos. Após a divulgação do caso, surgiram centenas de comentários e também manifestações agressivas nas redes sociais contra os frequentadores.
Um negócio criado para a comunidade queer
Asa Rosario, Jackie Matellian e Sage Territo abriram o Last Ditch depois de morarem juntas e identificarem o fechamento de dois bares queer na região. O espaço foi apresentado como destinado a “Sapatonas, Transexuais, Aberrações de Gênero, Trabalhadores e seus amigos”.
A programação incluiu festas de dança, karaokê, shows de drag, encontros para assistir a jogos da NBA feminina e um espetáculo de variedades. Os anúncios frequentemente lembravam os participantes de usar máscara.
Greenfield tem cerca de 17 mil habitantes e fica no oeste de Massachusetts. O vizinho condado de Hampshire registrou, segundo o Censo de 2020, a maior proporção de domicílios formados por casais de lésbicas do país.
Movimento no sábado
Por volta das 18h30, quatro pessoas mascaradas deixaram o Last Ditch e confrontaram jornalistas que estavam do lado de fora. Depois que um fotógrafo fez uma imagem com flash, elas exigiram que a foto fosse apagada e ameaçaram chamar a polícia.
Parte das pessoas que não conseguiu entrar foi ao Victoria, bar frequentado por moradores locais. Hallie Abelman, 34, disse que amigos de várias partes do país haviam enviado a ela notícias sobre a disputa e resumiu a repercussão com a frase: “É o assunto da cidade”. Phoebe Glick, 35, afirmou que Greenfield reúne grupos políticos, faixas de renda e perfis diversos, além de uma comunidade LGBTQIA+ que migrou de lugares como Northampton em busca de moradia mais barata.
Perto das 22h, dezenas de pessoas caminharam sob chuva fraca até o Last Ditch. Patricia Sonaike, 24, estudante da Universidade de Massachusetts em Amherst, disse que se interessou pelo bar depois do anúncio da flexibilização. Para ela, a mudança busca ampliar o público. Duas professoras visitantes do Smith College, LeiAnna Hamel e Gianna Albaum, afirmaram que foram impedidas de entrar por não conhecerem alguém que já estivesse no local. Segundo elas, o evento foi apresentado como uma “festa privada”, com a orientação de voltar em outro dia.


