A Procuradoria de Massachusetts não decidiu quais serão os próximos passos no caso de Lindsay Clancy, depois que o juiz William Sullivan anulou o julgamento nesta sexta-feira (4). O procurador Timothy Cruz afirmou que o órgão não tomará uma decisão por enquanto. A próxima sessão do tribunal foi marcada para o dia 29.
A anulação ocorreu após o júri fracassar duas vezes na tentativa de chegar a uma decisão unânime sobre a culpa ou a inocência de Clancy. A presidente do colegiado informou ao juiz que o impasse estava relacionado a um único jurado, que, segundo ela, não estaria seguindo as instruções da corte sobre o conceito de dúvida razoável.
A defesa pediu o afastamento desse jurado, mas Sullivan negou o requerimento e anulou o julgamento. Nos Estados Unidos, a dúvida razoável é o princípio segundo o qual o júri deve absolver quando existe uma dúvida lógica e sensata sobre a culpa do réu.
A decisão não representa uma absolvição. Clancy continua ré, e o caso pode ser retomado pela Procuradoria com a formação de um novo júri. O órgão também pode tentar obter uma condenação por outros crimes ou negociar um acordo com a acusada. Esse tipo de acordo envolve confissão de culpa em troca de uma sentença mais leve.
No processo cancelado, a acusação pedia a condenação por homicídio em primeiro grau. Em Massachusetts, esse crime prevê pena máxima de prisão perpétua sem possibilidade de condicional.
Clancy, enfermeira de 36 anos, é acusada de estrangular os filhos —Cora, 5, Dawson, 3, e Callan, oito meses— e tentar cometer suicídio em janeiro de 2023. Ela sobreviveu e ficou paraplégica. A defesa alegou que a ré estava sob o efeito de psicose pós-parto.
Durante seis dias, a acusação sustentou que Clancy sabia da gravidade de seus atos e planejou as mortes ao pedir que o então marido saísse de casa para comprar comida e ir à farmácia. Um psicólogo ouvido pela Procuradoria disse que ela teria agido por acreditar que os filhos sofreriam sem ela.
O ex-marido testemunhou pela defesa sobre os problemas de saúde mental de longa data da ré e as tentativas dela de buscar ajuda. Os advogados também mencionaram os medicamentos usados por Clancy, incluindo ansiolíticos e antidepressivos, além de uma declaração em que ela disse ter ouvido uma voz ordenando que matasse os filhos.


