Marina Silva, candidata ao Senado por São Paulo, afirmou que o tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros poderia retirar cerca de US$ 11 bilhões da economia do país e provocar perdas de aproximadamente US$ 4 bilhões em São Paulo. A medida, segundo ela, atingiria setores da indústria e do agronegócio, incluindo a cadeia do etanol.
Durante entrevista, Marina disse que o Senado deveria reagir de forma firme a decisões que prejudiquem a produção nacional. Ela também associou a cobrança norte-americana à atuação de setores políticos brasileiros que, em sua avaliação, estimulam medidas contrárias aos interesses econômicos do país. A tarifa mencionada é de 25%.
A candidata afirmou que a defesa da democracia e da soberania nacional exige oposição a iniciativas capazes de enfraquecer a economia brasileira. "Acho que ser progressista ou conservador é da democracia. Agora, ser entreguista, isso não é da democracia e não podemos compactuar com esse tipo de coisa", declarou.
Em debate promovido pelo SOS Mata Atlântica na quinta-feira (3), Marina defendeu o fim das emendas parlamentares impositivas. Para ela, os recursos hoje direcionados por deputados e senadores deveriam financiar ações de enfrentamento das mudanças climáticas, além de políticas ambientais, científicas e de desenvolvimento sustentável.
O orçamento de 2026 aprovado pelo Congresso reservou cerca de R$ 61 bilhões para emendas parlamentares. Desse total, quase R$ 38 bilhões correspondem às emendas impositivas, cuja execução é obrigatória pelo governo federal. Marina disse que o mecanismo reduziu a capacidade do Executivo de investir em áreas estratégicas e afirmou que parte relevante do orçamento federal foi "sequestrada".
A candidata também criticou alterações recentes na legislação ambiental aprovadas pelo Congresso. Segundo Marina, as mudanças reduziram instrumentos de proteção, afetaram o licenciamento ambiental e retiraram prerrogativas de órgãos como o Ibama.
Entre as prioridades defendidas por ela estão infraestrutura resiliente, restauração de áreas degradadas, pesquisa científica e tecnologias voltadas à economia de baixo carbono. Marina afirmou que a mudança no modelo de desenvolvimento e na matriz energética exige recursos financeiros.


