O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, solicitou uma reunião com o presidente Lula durante a passagem do brasileiro pela cidade para a Assembleia-Geral da ONU. A equipe presidencial ainda analisa a possibilidade de incluir a conversa na agenda, que permanece sem confirmação.
A visita de Lula será curta. O presidente deve chegar a Nova York na noite de domingo (20) e deixar a cidade depois do discurso previsto para a manhã de terça-feira (22), quando o Brasil tradicionalmente inicia as falas dos chefes de Estado na ONU. A segunda-feira (21) está reservada, inicialmente, para reuniões bilaterais.
Agenda sob avaliação
Os encontros devem ocorrer na residência do representante permanente do Brasil na ONU, o embaixador Sérgio Danese, onde Lula ficará hospedado. Também está prevista, na manhã de segunda-feira, uma entrevista com a jornalista Christiane Amanpour, da CNN.
Mamdani havia convidado Lula para uma reunião de líderes progressistas, mas o presidente recusou o convite. Na semana seguinte, o prefeito participará, ao lado do premiê da Espanha, Pedro Sánchez, de um encontro sobre economias mais inclusivas.
A equipe brasileira avalia os possíveis efeitos políticos de uma reunião com Mamdani, que se apresenta como uma das principais figuras de oposição ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Um encontro poderia ser interpretado pela Casa Branca como provocação em um período de tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos.
Uma pessoa envolvida nas conversas afirma, porém, que não há motivo para temer essa reação. Trump já se reuniu com Mamdani e o elogiou. Além disso, Lula recebeu diversos pedidos de reuniões bilaterais, enquanto terá pouco tempo disponível em Nova York.
Confronto com Trump
Mamdani tem criticado políticas de Trump desde que assumiu a Prefeitura, em janeiro deste ano. Entre os temas estão a política migratória e as detenções em larga escala realizadas pelo ICE, agência de imigração. O prefeito também determinou que a polícia da cidade não coopere com os agentes federais.
Durante a semana da Assembleia-Geral, Mamdani deve se reunir com líderes de seu espectro político e receber o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu. O prefeito já havia dito que prenderia Netanyahu caso ele viajasse a Nova York, mas depois reconheceu que a polícia local não tem autoridade para cumprir a medida. Há protestos previstos contra o premiê, que é alvo de um mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional por crimes cometidos na guerra em Gaza.
A curta permanência de Lula também está relacionada às eleições brasileiras, marcadas para 4 de outubro, e às relações fragmentadas com Trump.


