CARACAS — Centenas de pessoas foram às ruas nesta quinta-feira (24) para exigir o retorno à Venezuela de María Corina Machado, líder opositora e vencedora do Nobel da Paz. Os manifestantes levaram cartazes e uma grande bandeira do país, além de entoarem mensagens de apoio à dirigente.
A nova tentativa de Machado de voltar ao país foi impedida na terça-feira (22), segundo seu assessor, Pedro Urruchurtu. A opositora deixou a clandestinidade em dezembro, quando viajou à Noruega para receber o prêmio, e depois de uma passagem pelos Estados Unidos se estabeleceu na Cidade do Panamá.
O comerciante Douglas Mata, 65, criticou a diferença de tratamento entre Machado e Delcy Rodríguez, líder interina. Na mesma data em que Machado tentou retornar, Rodríguez se encontrou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
“Não é possível que, enquanto Delcy viaja pelo mundo, não deixem Corina entrar aqui na Venezuela”, afirmou Mata. Autoridades americanas negam a existência de um veto ao retorno da opositora, mas analistas sustentam que Washington impede sua volta. Trump declarou repetidamente satisfação com o trabalho de Rodríguez à frente do governo interino.
Pressão por novas eleições
Josefina Guerra, integrante da coalizão sindical nacional, disse que a expectativa pelo retorno se estende para além da capital. Silvia Nieto, militante do Vente Venezuela, partido de Machado, também defendeu a atuação da líder na oposição.
Durante a marcha, os participantes pediram a convocação de novas eleições após a queda de Nicolás Maduro em uma operação americana em janeiro. Machado liderou a campanha oposicionista na eleição presidencial de 28 de julho de 2024. Depois do pleito, Maduro foi proclamado vencedor para um terceiro mandato consecutivo; os protestos seguintes deixaram 28 mortos e mais de 2.400 detidos.
Declarada inelegível, Machado apoiou o diplomata Edmundo González Urrutia, que está exilado na Espanha. Nesta semana, Caracas recebe a segunda rodada de negociações entre um setor da oposição e o regime interino sobre uma transição política. Machado não participa das conversas, mas afirmou que não impediria o diálogo.


