O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, usou um discurso na Assembleia Geral da ONU para cobrar responsabilidade internacional diante do desastre que atingiu o país e áreas vizinhas. A tragédia matou cerca de 1.400 pessoas e deixou mais de 6.000 desaparecidos. Neste sábado (26), o desastre completa um mês.
Shah descreveu a situação como um alerta para a humanidade e relatou a destruição de pontes, estradas, escolas, casas e meios de subsistência. Famílias ainda aguardam notícias de pessoas desaparecidas, enquanto comunidades procuram sobreviventes e corpos em meio à lama, às pedras e à água.
O premiê afirmou que o aquecimento do clima desestabiliza a ecologia do Himalaia. A devastação alcançou os dois lados da fronteira entre Nepal e China, e a enchente avançou em direção à Índia. Para Shah, a dimensão regional do episódio mostra que os efeitos da mudança climática não respeitam fronteiras.
“Um clima mais quente está desestabilizando a frágil ecologia do Himalaia”, disse o primeiro-ministro.
Reconstrução e reparação
Shah assumiu a liderança do Nepal em março, depois de ter sido prefeito de Katmandu e de ganhar notoriedade como rapper. Sua chegada ao cargo ocorreu após uma ruptura geracional associada a protestos organizados pela geração Z.
Cinco meses depois de se tornar primeiro-ministro, ele passou a conduzir o país durante uma das maiores tragédias de sua história. Além das perdas humanas, o Nepal enfrenta uma tarefa bilionária de reconstrução. Na ONU, Shah agradeceu a ajuda internacional recebida e sinalizou a necessidade de mais assistência.
O premiê também apresentou uma cobrança relacionada à responsabilidade climática. O Nepal responde por menos de 0,1% das emissões globais de gases de efeito estufa, mas, segundo Shah, sofre consequências severas de uma crise que não provocou.
“Precisamos entender por que esse desastre importa para além do Nepal”, afirmou.
O argumento se aproxima das reivindicações feitas por pequenos países que contribuem pouco para os fatores associados à crise climática, mas estão expostos a seus efeitos. As demandas aparecem em fóruns multilaterais, como a Assembleia Geral da ONU e as conferências climáticas da organização. Na sexta-feira (25), o primeiro-ministro de Tuvalu voltou a alertar que a elevação do nível do mar pode tirar o país do mapa.
Ao encerrar sua fala, Shah pediu que a Assembleia preservasse seis palavras: alívio, reabilitação, reconstrução, responsabilidade, reparação e resiliência. As três primeiras, explicou, são necessárias depois de um desastre; as três últimas devem impedir que a tragédia se transforme em uma condição permanente.
O primeiro-ministro também defendeu que a resposta não seja convertida em disputa geopolítica. Para ele, os países que mais contribuíram historicamente para o problema e os que têm maior capacidade de reação devem assumir uma parcela maior do esforço internacional.


