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Internacional

Estudo aponta como o calor e o degelo fragilizaram montanha no Nepal

Análise do WWA relaciona aquecimento, recuo de geleira e degelo do permafrost ao desastre que matou mais de 1.300 pessoas.

Estudo aponta como o calor e o degelo fragilizaram montanha no Nepal
Foto: Navesh Chitrakar/Reuters

O governo nepalês teve aprovado pela ONU o acesso a US$ 20 milhões (R$ 98 milhões) do Fundo de Resposta a Perdas e Danos após o colapso da montanha Langtang Lirung, na fronteira entre Nepal e China. O recurso representa uma fração do valor necessário para a recuperação do desastre, que matou mais de 1.300 pessoas e deixou cerca de 6.000 desaparecidos em agosto.

A avaliação publicada nesta quinta-feira (17) pelo WWA (World Weather Attribution) concluiu que o aquecimento global agravou a maior parte dos processos climáticos envolvidos na tragédia. O grupo, liderado por cientistas do Imperial College, de Londres, reuniu glaciologistas e especialistas em regiões montanhosas para analisar as causas do colapso.

A encosta já apresentava vulnerabilidade geológica. Um terremoto ocorrido em 2015 pode ter ampliado a propensão ao desmoronamento. Nas décadas anteriores, o aumento das temperaturas, associado principalmente à queima de combustíveis fósseis, contribuiu para o recuo da geleira e para o derretimento do permafrost dentro das fraturas das rochas.

A geleira recuou cerca de 300 metros de 2010 a 2026. No mesmo período, a linha de congelamento da montanha subiu aproximadamente 100 metros de altitude por década. Segundo Walter Immerzeel, professor da Universidade de Utrecht e um dos autores da análise, o degelo reduziu a resistência das rochas e permitiu maior entrada de água na encosta.

“Não foi um único evento desencadeador”, afirmou Immerzeel. A ruptura ocorreu a cerca de 5.150 metros de altitude, depois que parte da geleira e rochas de uma saliência se desprenderam no último dia 26. O gelo se transformou rapidamente em água, inundou o vale do rio Lendi e atingiu comunidades.

As temperaturas na região ficaram próximas de 5°C durante julho e agosto, o maior nível em 55 anos de registros. O WWA estimou que, nesse período, o local esteve cerca de 1,5°C mais quente do que no período pré-industrial. No conjunto do ano, o aquecimento na cadeia montanhosa chegou a 2°C.

Friederike Otto, líder do WWA e professora do Imperial College, disse que a análise também procurou dimensionar o papel das mudanças climáticas nos fatores que levaram ao desastre. Immerzeel afirmou que a atribuição direta é difícil porque os processos atuaram em escalas de tempo que foram de anos a décadas.

O estudo afirma que sistemas de alerta precoce e planos de ação para desastres não foram suficientes diante da dimensão da tragédia. Em áreas de alta montanha, a ocupação é condicionada pela escassez de locais habitáveis, pelo crescimento populacional e pela dependência econômica dos rios.

O fundo criado para perdas e danos enfrenta dificuldades de financiamento e acumula cerca de US$ 2,8 bilhões (R$ 14,3 bilhões) em pedidos de pequenos países. Balendra Shah, primeiro-ministro nepalês, planeja levar o tema à Assembleia Geral da ONU na próxima semana.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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