MARROCOS — A vitória do Partido Autenticidade e Modernidade (PAM) não garantiu maioria absoluta na Câmara dos Representantes, e a legenda terá de negociar uma coalizão para formar o próximo governo do Marrocos. O partido conquistou 97 das 395 cadeiras, enquanto o Reagrupamento Nacional dos Independentes (RNI), à frente da coalizão em fim de mandato, ficou com 66.
O resultado ocorreu em uma eleição com comparecimento de 38% dos 16 milhões de eleitores inscritos. A participação, sobretudo entre os jovens, foi um dos desafios enfrentados pelas siglas durante a disputa. O pleito aconteceu um ano depois de um movimento de protesto da geração Z ter ocupado as ruas do país para cobrar melhores serviços de saúde e educação.
Nesta terça-feira (29), o rei Mohammed 6º encarregou Fatima Ezzahra El Mansouri de formar o novo governo. Prefeita de Marrakesh, ela será a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra do Marrocos. El Mansouri também já foi ministra da Habitação e foi recebida pelo monarca no palácio real, informou o gabinete real.
A indicação ocorreu após a vitória do PAM, partido de centro-direita, nas eleições parlamentares da semana passada. El Mansouri, que é coordenadora nacional da legenda, declarou: “Hoje, celebramos a valiosa confiança que os cidadãos depositaram em nós”.
A disputa eleitoral ocorreu em um período de crescimento econômico e de aceleração de grandes projetos de infraestrutura no reino, que se prepara para sediar, ao lado de Espanha e Portugal, a Copa do Mundo de 2030. O cenário também foi marcado pela entrada às pressas de dezenas de milhares de migrantes marroquinos, em sua maioria jovens, no exclave espanhol de Ceuta, episódio que evidenciou frustrações socioeconômicas entre a juventude.
Para o cientista político Mohamed Tozy, os resultados “eram bastante previsíveis”. Ele afirmou ainda que o PAM não teve uma vitória esmagadora, apesar dos recursos mobilizados.


