O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, planeja disputar novamente a Presidência em uma eleição antecipada que poderá ocorrer em abril de 2028. A sinalização foi feita por Mehmet Ucum, assessor de alto escalão do governo, e representa a primeira indicação oficial de que Erdogan pretende buscar um novo mandato.
Ucum afirmou que o pleito será realizado em 16 de abril de 2028 caso 360 parlamentares aprovem a convocação. Pela legislação turca, a eleição ocorreria normalmente em maio daquele ano. A antecipação em um mês permitiria a Erdogan contornar a regra constitucional que impede um presidente de exercer mais de dois mandatos de cinco anos.
Apoio no Parlamento
A convocação depende do apoio de 360 dos 600 integrantes do Parlamento. O AKP, partido islamo-conservador de Erdogan, e o nacionalista MHP controlam 326 cadeiras. Para aprovar a medida, os dois partidos precisarão obter o apoio de pelo menos outros 34 parlamentares.
Erdogan chegou ao poder como primeiro-ministro em 2003 e exerceu três mandatos no cargo. Em 2014, foi eleito presidente. Após um referendo realizado três anos depois, a Turquia adotou um sistema presidencialista executivo, que passou a vigorar quando ele foi reeleito, em 2018. Erdogan foi reeleito pela terceira vez em 2023.
Até agora, o governo afirmava que a votação seguiria o calendário previsto. Durante uma visita, no fim de semana, à sua província natal de Rize, às margens do mar Negro, Erdogan mencionou as próximas eleições. O porta-voz do AKP, Omer Celik, negou que a declaração indicasse uma antecipação e afirmou que não havia eleição na pauta do partido.
Promessas anteriores e oposição
Depois da reeleição em maio de 2023, Erdogan disse que aquele seria seu último mandato. No ano passado, durante discussões sobre a atualização da Constituição turca, declarou: “Não tenho intenção de ser reeleito nem de concorrer novamente à Presidência”.
O líder da oposição, Ozgur Ozel, pede eleições antecipadas desde a prisão do prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, em março de 2025. Imamoglu, considerado o principal rival de Erdogan, foi detido em uma investigação por corrupção e escolhido no mesmo dia como candidato à Presidência em 2028 pelo CHP, principal partido de oposição.
Ainda não está definido quem será o candidato da principal oposição. Uma candidatura de Imamoglu é considerada improvável enquanto ele estiver preso. Após uma decisão judicial que reformulou a liderança do CHP no início deste ano, Ozel deixou a legenda e fundou o Yeni Parti, que passou a contar com parlamentares em número suficiente para assumir a posição de principal força de oposição da Turquia.
Erdogan é acusado por críticos de tendências autoritárias, especialmente após a tentativa fracassada de golpe de julho de 2016 e os expurgos que se seguiram. Ele continua popular entre seus apoiadores, que o consideram o único líder capaz de resistir à pressão ocidental e conduzir o país durante crises regionais e internacionais.


