REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO — Sobreviventes do ebola passaram a atuar no atendimento de pacientes e de crianças afetadas pela epidemia na República Democrática do Congo. O surto, o maior já registrado no país, deixou milhares de mortos e provocou perdas familiares, traumas e dificuldades para quem conseguiu se recuperar.
Uma estudante de medicina que contraiu o vírus permaneceu em uma creche voltada a crianças atingidas pela doença depois de receber alta. Ela decidiu ajudar os menores que perderam os pais e afirmou que a experiência também está ligada ao seu interesse por pediatria. “Eu gosto muito de ficar com as crianças porque eu adoro pediatria. Amo cuidar deles, vê-los sorrir”, disse.
Durante a internação, a estudante teve medo de morrer e presenciou outras pessoas perderem a vida. “Eu fiquei apavorada durante a minha internação. Eu tinha a sensação de que ia morrer a qualquer momento”, afirmou.
Apoio nos centros de tratamento
Outro sobrevivente perdeu 12 parentes para a doença. Depois de apresentar sintomas, procurou atendimento, recebeu resultado positivo e começou o tratamento imediatamente. A rapidez do atendimento, segundo ele, trouxe tranquilidade mesmo diante do diagnóstico.
Após se recuperar, ele passou a trabalhar ao lado das equipes médicas nos centros de tratamento. A imunidade desenvolvida depois da infecção permite que participe do cuidado dos pacientes e ajuda a reduzir a exposição dos profissionais de saúde ao risco de contaminação.
Crianças sem os pais
A epidemia também deixou centenas de órfãos e separou famílias inteiras. Entre os casos está o de um bebê cuja mãe morreu durante o parto e cujo pai faleceu dias depois, ambos vítimas do ebola. A criança sobreviveu à doença.
Outra menina conseguiu se recuperar depois de perder toda a família para o vírus. Esses casos ocorrem em uma região onde o avanço do ebola se combina à pobreza, aos conflitos armados e às dificuldades do sistema de saúde.
O medo continua dificultando o controle da epidemia. Muitas pessoas evitam os centros de tratamento por desconfiança ou falta de informação e só procuram ajuda quando a doença está avançada. Em algumas situações, familiares tentam cuidar dos doentes em casa, o que eleva o risco de novas transmissões.


