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Saúde

Investigações indicam circulação do ebola no Congo desde fevereiro

Cronologias da OMS, do Africa CDC e estudos posteriores apontam que o vírus pode ter circulado semanas antes da declaração oficial.

Investigações indicam circulação do ebola no Congo desde fevereiro
Foto: REUTERS/Gradel Muyisa Mumbere

A declaração oficial do surto de ebola na República Democrática do Congo ocorreu em 15 de maio, mas evidências reunidas depois indicam que o vírus pode ter circulado no país desde fevereiro. A doença foi identificada como causada pela variante bundibugyo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC) reconstruíram a sequência inicial dos acontecimentos. O primeiro caso conhecido, identificado retrospectivamente, foi o de um profissional de saúde de Mongbwalu, no nordeste da província de Ituri. Os sintomas teriam surgido por volta de 24 ou 25 de abril. O paciente morreu em um centro médico de Bunia, capital de Ituri.

Até o momento, 80% dos casos foram registrados em Ituri. A OMS, porém, só recebeu uma notificação em 5 de maio, sobre uma doença desconhecida com alta mortalidade na Zona de Saúde de Mongbwalu. Dez dias depois, o governo confirmou oficialmente o surto, após exames do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica, em Kinshasa, detectarem a variante bundibugyo.

Sinais anteriores à confirmação

Relatos de moradores indicam que mortes suspeitas já eram observadas no fim de abril. Dieudonne Lossa Dekhana, coordenador provincial da sociedade civil em Ituri, afirmou: “Várias mortes foram registradas após quadros de febre alta, e as vítimas frequentemente apresentavam vestígios de sangue em diferentes orifícios do corpo”.

Um relatório da Cruz Vermelha da República Democrática do Congo, datado de 16 de maio, registrou que havia medo generalizado na Zona de Saúde de Mongbwalu desde 30 de março de 2026, após uma sequência de mortes. Os sintomas descritos incluíam febre alta, dor no peito, exaustão severa, tosse persistente, sangramento nasal, vômitos, perda de consciência, coma e morte.

O documento relacionou o início do problema ao corpo de um morador de Mongbwalu que morreu e foi colocado em um caixão comprado em Bunia, depois substituído por outro em Mongbwalu. O funeral teria colocado várias pessoas em contato direto com o corpo e com o caixão, contribuindo para o aumento posterior de infecções e mortes em Mongbwalu e Bunia.

Hipótese de transmissão em fevereiro

Não é possível confirmar que todas essas mortes tenham sido provocadas pelo vírus bundibugyo. Elas, no entanto, mostram que um fenômeno sanitário incomum era observado mais de seis semanas antes do anúncio oficial.

Em estudo publicado em 11 de junho no periódico Morbidity and Mortality Weekly Report, pesquisadores do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) reconstruíram os primeiros estágios da epidemia. Para a equipe, uma transmissão inicial de um animal para uma pessoa entre meados e o fim de fevereiro é plausível. Um início apenas no fim de abril seria difícil de conciliar com a dimensão do surto naquele momento.

Em 10 de agosto, Mohamed Janabi, diretor regional da OMS para a África, disse que análises genéticas indicavam que o surto provavelmente havia começado “já em fevereiro”. Infecções iniciais podem ter sido atribuídas por engano a doenças comuns na região, especialmente malária e tifo. Em agosto, Janabi também afirmou que havia uma lacuna significativa na notificação dos casos: “A situação do ebola é catastrófica. Em três meses, só tivemos acesso a um terço dos pacientes.”

Mortes de animais como possível sinal

Jules Villa, pesquisador do Instituto Pasteur, em Paris, estudou relatos locais de epidemias anteriores de ebola no nordeste do Congo. O trabalho não analisa o surto atual, mas registra relatos de criadores, veterinários e moradores sobre mortalidade incomum de animais antes de pelo menos duas epidemias em humanos.

Em 2017, testemunhas relataram uma elevada mortalidade entre porcos, chamada de “ebola suíno” e posteriormente atribuída à peste suína. A pesquisa de Villa indica que o acompanhamento de animais de criação pode oferecer sinais de alerta antes da confirmação laboratorial de um surto.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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