PANAMÁ — Moradores de cidades atingidas pelos terremotos que ocorreram na sexta-feira (9) passaram a noite nas ruas, temendo novas réplicas. Neste sábado (10), famílias permaneciam em tendas improvisadas enquanto equipes de emergência avaliavam os danos.
Os abalos, de magnitude 7,7 e 6,6, provocaram desabamentos, rachaduras em estradas e a retirada de pessoas de edifícios em diferentes regiões do país. A Universidade do Panamá registrou dezenas de tremores secundários, incluindo ocorrências de magnitude 5,8, 5,5 e 5,2.
Danos em cidades e estruturas
Em La Villa de Los Santos, a cerca de 64 quilômetros do epicentro, casas e uma igreja católica desabaram. A igreja de San Atanasio, reconhecida como Patrimônio Histórico Nacional desde 1938, estava entre as estruturas destruídas. Moradores que tiveram parte das residências danificada aguardavam orientações sobre a saída dos abrigos.
Tony Jiménez, de 90 anos, passou a noite sob uma tenda com familiares depois que sua casa desabou parcialmente. “Em meus 90 anos, nunca vivi nada parecido”, afirmou.
O terremoto principal teve epicentro a cerca de 10 quilômetros da comunidade de Pitaloza Arriba, na província de Herrera, e ocorreu a aproximadamente 10 quilômetros de profundidade, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). O tremor foi sentido até na Colômbia.
Os danos se concentraram nas províncias de Veraguas, Herrera e Los Santos, conforme o Serviço Nacional de Proteção Civil do Panamá. Em Penonomé, a cerca de 150 quilômetros da Cidade do Panamá, parte da catedral da praça principal desabou. O prédio do governo provincial e o hotel Dos Continentes também foram danificados.
Apesar da intensidade dos terremotos, as autoridades não registraram mortes. O Aeroporto Internacional de Tocumen suspendeu as operações temporariamente após o primeiro abalo e retomou os serviços ainda na sexta-feira (9). O Canal do Panamá continuou funcionando, enquanto equipes técnicas faziam inspeções nas instalações.
O Panamá fica em uma região de intensa atividade sísmica, próxima ao Círculo de Fogo do Pacífico, faixa de aproximadamente 40 mil quilômetros associada à maior parte dos terremotos registrados no planeta. O último grande terremoto a causar danos generalizados no país ocorreu em 1991. Com magnitude 7,4 e epicentro na Costa Rica, o abalo matou 23 pessoas, deixou 559 feridas e provocou milhares de desabrigados na região fronteiriça de Bocas del Toro.


