ISTAMBUL — Durante a audiência realizada no Palácio da Justiça de Caglayan, o humorista Deniz Goktas contestou as acusações com declarações irônicas que provocaram risos na sala. Detido havia 88 dias, ele afirmou que não havia elemento criminoso em sua apresentação e defendeu o uso da sátira política.
O tribunal de Istambul condenou Goktas a 19 meses de prisão por insultar o presidente Recep Tayyip Erdogan. A corte determinou, porém, que ele seja libertado enquanto o recurso contra a decisão é analisado.
Acusações e defesa
Além da condenação relacionada ao presidente, o humorista foi considerado culpado de insultar valores religiosos. Ele foi inocentado de uma terceira acusação, descrita como semelhante à apologia do crime.
Os promotores deram destaque a uma frase em que Goktas chamou Erdogan de “ditador tímido”. Na audiência, o humorista disse que “Ditador não é um insulto: é uma caracterização política”. Também afirmou que um espetáculo de humor político sem mencionar o nome do presidente não seria sincero nem teria relação com a realidade, considerando que Erdogan é presidente e líder do partido que governa o país há 25 anos.
Goktas foi detido pela polícia em 3 de julho, uma semana depois de publicar no YouTube um vídeo de um show de stand-up apresentado para milhares de espectadores. A gravação alcançou quase nove milhões de visualizações. Ele também disse que Erdogan deveria estar aberto à arte da sátira.
Processos na Turquia
Nos últimos anos, milhares de pessoas foram processadas na Turquia por insultar o presidente. Entre os atingidos estão políticos, artistas, músicos, jornalistas e ativistas LGBTQ+.
No último dia 13, operações policiais em bares, organizações e residências de ativistas LGBTQIA+ levaram à detenção de ao menos 47 pessoas: 26 em Istambul e 21 em Ancara. O ministro da Justiça, Akin Gürlek, afirmou que as ações resultaram em processos contra 162 suspeitos, 9 associações e 13 empresas em 15 províncias, incluindo Istambul, Ancara e Izmir.


