O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que ainda avalia entre negociar com o Irã ou intensificar a ofensiva contra o país. A declaração ocorreu após seu discurso perante as Nações Unidas e durante um encontro com o primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, nesta terça-feira (22).
Trump não apresentou as condições para uma eventual negociação. Entre as exigências mencionadas está a garantia de que o Irã não desenvolva uma arma nuclear. O presidente também não informou se os Estados Unidos cobrariam compromissos sobre os programas iranianos de mísseis e drones.
Uma possibilidade levantada por Trump é a realização de um acordo depois das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, previstas para novembro. Ele disse acreditar que o governo iraniano aguarda o resultado da votação e indicou disposição para receber representantes de Teerã em Nova York.
Rotas de petróleo e posição britânica
A situação do Estreito de Ormuz também aparece entre os pontos de possível negociação. A passagem é uma das principais rotas para o transporte marítimo de petróleo. Burnham afirmou que o Reino Unido está pronto para fazer sua parte no Oriente Médio e defendeu o fim do conflito e a redução da escalada.
Na segunda-feira (21), ao anunciar apoio defensivo à Arábia Saudita, o premiê britânico disse que era necessário “manter esses caminhos abertos”. Em comunicado, ele afirmou que defenderá na ONU maior cooperação internacional e que acontecimentos no exterior afetam diretamente a população britânica.
Trump agradeceu ao Conselho de Segurança da ONU pela aprovação de uma resolução que condenou ataques iranianos contra embarcações comerciais. O presidente também defendeu a continuidade da pressão internacional sobre Teerã.
Divergência sobre Diego Garcia
A relação entre Reino Unido e Estados Unidos está entre os desafios da política externa britânica. Burnham afirmou: “Essa relação é muito importante para nós e vamos desenvolvê-la”. Os dois países divergem sobre a política externa de Trump e sobre o futuro de uma base militar americana em Diego Garcia, no Oceano Índico.
A base integra as Ilhas Chagos, cuja soberania o Reino Unido anunciou que transferirá para as Ilhas Maurício. Pelo acordo, Londres manteria por 99 anos o controle de Diego Garcia. A legislação para implementar o entendimento foi suspensa após oposição dos Estados Unidos.
Depois do encontro, Trump voltou a criticar o acordo e o classificou como um “acordo terrível”. Burnham afirmou que pretende encontrar uma solução para a questão. Durante a reunião, o presidente americano também chamou o premiê de “um homem de negócios nato”.


