NOVA YORK — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na Assembleia-Geral das Nações Unidas que Washington poderá empregar força militar para proteger interesses considerados vitais no Hemisfério Ocidental. A declaração foi feita nesta terça-feira (23), durante o primeiro dia do Debate Geral.
Trump disse que os cartéis representam uma ameaça à civilização e comparou os grupos ao Estado Islâmico. Para justificar a possibilidade de ação militar, declarou: “Os Estados Unidos não permitirão mais que ameaças ao país ganhem espaço em qualquer parte do Hemisfério Ocidental”.
O presidente americano afirmou ainda que a Venezuela dispunha de um aparato militar de ponta, mas que isso não impediu ações dos Estados Unidos. Ele disse ter designado os cartéis como organizações terroristas com o objetivo de combater o tráfico de drogas na região. O Brasil e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não foram citados. Em maio, o governo Trump havia designado o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como terroristas.
Guerra contra o Irã
Em outro trecho do discurso, Trump tratou do conflito com o Irã, iniciado no fim de fevereiro deste ano. Disse que precisa decidir entre firmar um acordo com o país e “aniquilar a República Islâmica” rapidamente. Apesar da ameaça, afirmou acreditar que Washington e Teerã chegarão a um entendimento depois das eleições de meio de mandato, marcadas para o início de novembro.
O presidente justificou a guerra dizendo que ofereceu ao Irã todas as oportunidades para um acordo, mas que o país não poderia obter uma arma nuclear. Também voltou a atribuir a si a solução de oito conflitos ao redor do mundo.
Trump criticou a Organização das Nações Unidas e falou sobre Cuba. Segundo ele, o secretário de Estado, Marco Rubio, tenta negociar com a ilha, que enfrenta apagões em meio às sanções impostas pelo governo americano. Trump acusou o regime cubano de manter relações com grupos que classificou como radicais e citou o Partido Comunista dos EUA, a Antifa e os Socialistas Democráticos da América.
O presidente americano foi o segundo chefe de Estado a discursar no primeiro dia do Debate Geral, depois de Lula. A programação segue até a próxima segunda-feira (28). Durante sua passagem por Nova York, Trump também tem prevista uma reunião com Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela. Será o primeiro encontro presencial entre os dois desde a captura de Nicolás Maduro, em janeiro, por uma operação militar americana.


