DALLAS — Donald Trump pediu aos republicanos que tratem as eleições de novembro como uma extensão de sua própria campanha e reconheceu que não estará na cédula. Durante a convenção de meio de mandato do Partido Republicano, ele afirmou: "Estou pedindo que vocês finjam que meu nome está na cédula."
O encontro reuniu apoiadores vestidos com roupas vermelhas e referências ao movimento MAGA, sigla de Make America Great Again. A ausência de nomes republicanos mais moderados, entre eles a senadora Susan Collins, do Maine, reforçou a imagem de um partido concentrado na base fiel ao presidente.
A convenção não discutiu um programa oficial do partido. O objetivo foi mobilizar eleitores para impedir que os republicanos percam o controle do Congresso em novembro. O público presente e o que acompanhava o evento pela televisão parecia formado principalmente por pessoas leais a Trump, e não por moderados ou eleitores indecisos.
Sucessão republicana
O desempenho do partido sem Trump na cédula apareceu como uma das questões centrais do encontro. O presidente ainda domina a legenda, mas não há um sucessor definido capaz de mobilizar a base da mesma forma. Em entrevistas, participantes citaram o vice-presidente J.D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio como possíveis nomes para a sucessão.
Trump também associou o futuro político do partido à próxima eleição presidencial, em 2028. Apesar disso, deixou claro em Dallas que não pretende deixar os holofotes e continua à frente da mobilização republicana.
Guerra e custo dos combustíveis
A guerra no Irã foi outro tema do discurso. Na quarta-feira, Trump disse que os americanos talvez tenham de esperar mais para sentir alívio nos preços dos combustíveis. Ele afirmou que o custo econômico no curto prazo seria justificável para impedir que Teerã desenvolva armas nucleares.
Sobre a duração do conflito, declarou: "Acho que a guerra vai acabar logo após a eleição, porque eles não aguentam mais". A mensagem pode enfrentar resistência entre eleitores afetados pelos preços mais altos. Uma pesquisa divulgada no domingo indicou que 33% dos eleitores registrados aprovavam seu desempenho como presidente, o menor nível apontado nesse levantamento.
Pagamento condicionado à vitória
Trump apresentou ainda a promessa de pagar US$ 5 mil, cerca de R$ 25,5 mil, a cada cidadão americano adulto se os republicanos vencerem nas duas Casas do Congresso em novembro. Segundo ele, o dinheiro teria de ser gasto nos Estados Unidos.
O presidente não explicou como o programa seria executado, qual seria a origem dos recursos ou de que maneira o governo fiscalizaria os gastos. Democratas classificaram a proposta como "promessa vazia", enquanto outros questionaram sua legalidade.
Há quase 270 milhões de adultos americanos. Nesse cálculo, o pagamento custaria ao governo dos EUA cerca de US$ 1,3 trilhão, ou R$ 6,6 trilhões. A proposta foi recebida com aplausos na convenção.


