São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Dólar R$ 5,18 · Euro R$ 5,88 · Ibovespa 186.340 +0,00%
Notícia com critério
Internacional

Venezuela ainda não fechou balanço de vítimas e calcula reconstrução em bilhões

Três meses após os terremotos, autoridades não atualizaram o número de mortos e desaparecidos, enquanto estimativas divergem sobre os prejuízos.

Venezuela ainda não fechou balanço de vítimas e calcula reconstrução em bilhões
Foto: AFP

A Venezuela continua sem um balanço definitivo das vítimas dos dois terremotos que atingiram o país há três meses. O número oficial de mortes permanece em 6.509, mesmo com quase 30 mil pessoas registradas como sem paradeiro localizado pela plataforma “Desaparecidos Terremoto Venezuela”.

Susana Raffalli, que trabalha com a Cáritas em La Guaira, afirma que a dimensão da destruição e a demora na retirada dos escombros impediram uma contagem precisa. Na ausência de corpos, os desaparecimentos não podem ser convertidos oficialmente em mortes.

Assistência mantém plano de 24 meses

A Cruz Vermelha venezuelana mantém um planejamento de assistência para 24 meses, com a meta de ajudar 300 mil pessoas. Lila Vanorio, coordenadora nacional de Comunicação da organização, destaca a participação de entidades humanitárias e de doadores individuais, incluindo venezuelanos que vivem em outras partes do mundo e pessoas de outros países.

Após três meses, a Cruz Vermelha afirma ter atendido mais de 6.000 famílias com kits de higiene e de cozinha. Ainda há necessidade de alimentos não perecíveis, medicamentos, filtros e pastilhas para tornar a água potável. Raffalli também relata que as doações em dinheiro diminuíram desde as primeiras semanas após o desastre.

A situação inclui problemas nos alojamentos temporários, escassez de água e paralisação da atividade econômica. O início do ano letivo levou pessoas abrigadas em escolas a deixarem esses locais, embora ainda existam vagas nos abrigos. A assistência continua necessária, e os escombros contribuíram para o aumento de problemas respiratórios.

Raffalli também identifica problemas de saúde mental, incluindo transtornos de ansiedade, traumas entre pessoas amputadas e luto de famílias incompletas ou de crianças em situação de orfandade em instituições de acolhimento.

Estimativas diferentes para os danos

Os cálculos sobre os prejuízos econômicos também não coincidem. Um relatório da Munich RE estima perdas totais de cerca de US$ 30 bilhões, incluindo perdas seguradas inferiores a US$ 1 bilhão. A avaliação foi apresentada como estimativa preliminar.

O economista Alberto Martínez, da Universidade Simón Bolívar, em Caracas, considera mais confiável a Avaliação de Necessidades Pós-Desastre, elaborada pela ONU em conjunto com o regime venezuelano e outras instituições internacionais. O documento calcula perdas de US$ 14,8 bilhões e prevê investimentos de até US$ 21 bilhões para a reconstrução.

Martínez afirma que a recuperação dependerá do desempenho do petróleo, já que a economia venezuelana continua essencialmente petroleira. O estado de La Guaira também depende do turismo, principalmente de Caracas, e das atividades do aeroporto, uma das estruturas mais atingidas e que voltou a operar praticamente como uma tenda improvisada.

Segundo o economista, algum estímulo econômico poderá chegar à região quando as praias forem reabertas, mas a reconstrução será uma questão de médio prazo. La Guaira não deverá ser recuperada exatamente como era antes, e a paisagem será diferente.

Questionamentos sobre as construções

Martínez relaciona os danos à desobediência às normas técnicas em parte das construções recentes. Ele lembra que as regras sísmicas foram modificadas após o terremoto de 1967, que atingiu La Guaira e Caracas. Na capital, os edifícios mais novos não sofreram grandes danos, enquanto a maioria dos que desabaram havia sido construída antes daquele ano.

O geofísico Raúl Estévez afirma que o cumprimento das normas atuais teria evitado os efeitos mais devastadores em La Guaira. Para ele, corrupção, negligência institucional e descumprimento de regras agravaram a catástrofe.

“Estou profundamente abalado, como especialista, pelo que aconteceu e por ter a convicção de que tudo isso poderia ter sido evitado”, diz Estévez. Ele também questiona a construção de moradias com projetos importados de regiões sem atividade sísmica, como Belarus, e afirma que os responsáveis por licenças e autorizações inadequadas podem ser identificados pelas leis atuais.

A definição dos responsáveis, assim como a contagem final das vítimas, ainda permanece incompleta.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.