A China será representada pelo vice-presidente, Han Zheng, no quarto dia da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta sexta-feira (25). O presidente Xi Jinping não discursará no plenário porque está nos Estados Unidos para uma visita de Estado e reuniões com Donald Trump em Washington.
Xi e sua comitiva chegaram à capital americana na última quarta-feira (23). Trump já havia deixado Nova York depois do discurso de abertura da Assembleia e de reuniões bilaterais com outros chefes de Estado.
A escolha ocorre enquanto a recepção americana à delegação chinesa é descrita como fora do padrão adotado com outros líderes. Para Maurício Santoro, professor de relações internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Trump recebeu Xi com tratamento reservado a uma autoridade de grande relevância. “Ele foi recebido como se fosse o papa”, afirmou.
Xi discursou no plenário da ONU apenas uma vez, em 2015, desde que assumiu a Presidência, em 2013. A ausência contrasta com a participação frequente do líder chinês em outros encontros multilaterais.
Nos últimos meses, ele compareceu à 18ª Cúpula dos BRICS, em Nova Délhi, na Índia, em 12 e 13 de setembro; à 26ª reunião do Conselho de Chefes de Estado da Organização para Cooperação de Xangai (OCX), em Bishkek, no Quirguistão, em 1º de setembro; e à Conferência Mundial de Inteligência Artificial e reunião de alto nível sobre governança global da IA, em Xangai, em 17 de julho.
Para Santoro, a indicação de Han Zheng sinaliza a preferência de Pequim por fóruns nos quais identifica maior convergência ideológica ou capacidade de influência. A decisão, porém, não seria uma rejeição ao multilateralismo.
Larissa Wachholz afirmou que a ausência de Xi destaca a importância atribuída à visita de Estado aos Estados Unidos e evita dividir a atenção com o encontro bilateral.


