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Justiça

Eleitores da Maré enfrentam até três horas de fila após mudança de locais

Alterações feitas pelo TRE-RJ atingiram nove zonas eleitorais e elevaram a abstenção, que chegou a 28,46% na região da Maré.

Eleitores da Maré enfrentam até três horas de fila após mudança de locais

Moradores do Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, enfrentaram dificuldades para votar após a mudança dos locais de votação determinada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ). Segundo a ONG Redes da Maré, houve eleitores que ficaram até três horas na fila no primeiro turno, realizado no último domingo (4/10).

A 161ª Zona Eleitoral, que atende a área, registrou 28,46% de abstenção, o maior índice entre os locais afetados. O complexo tem cerca de 140 mil moradores, e mais da metade da população precisa votar fora do território onde vive. Em alguns casos, a distância até a seção eleitoral chega a quatro quilômetros.

No conjunto das nove zonas eleitorais da capital atingidas pela alteração, foram contabilizadas 248.069 abstenções, com média de 25,83%. No país, o índice foi de 21,08%, equivalente a 33,4 milhões de eleitores ausentes, o maior percentual desde 1998.

Divergência sobre a medida

O TRE-RJ informou que mudou os pontos de votação para tentar diminuir a influência de criminosos sobre eleitores de áreas controladas pelo tráfico de drogas ou por milícias. A mesma estratégia havia sido adotada nas eleições municipais de 2024.

A medida, porém, é contestada por especialistas. Danielle Marques de Souza, presidente da Comissão de Direito e Políticas Públicas do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) e integrante da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político, afirmou: “Mudar o local de votação não vai impedir uma eventual influência (dos criminosos) porque qualquer um pode ter acesso ao resultado da votação nas seções eleitorais”.

Para a advogada, a falta de clareza nas orientações e os obstáculos de deslocamento contribuíram para o aumento da abstenção. Ela defende que o tribunal ofereça meios de transporte para reduzir as ausências.

O presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-RJ, Marcio Alvim Trindade Braga, apoia a alteração e considera que ela deveria ser ampliada para outras regiões da capital fluminense. Ele reconhece, contudo, que a mudança elevou a abstenção.

Lidiane Malanquini, coordenadora de Incidência Política da Redes da Maré, disse que não há indícios de coação de moradores pelo crime organizado na região. “Esse tipo de medida negligencia o direito ao voto dos moradores, que sequer foram ouvidos.”

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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