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Círio destaca convivência entre religiões e identidade paraense em Belém

Procissão reuniu católicos, evangélicos e participantes de outras tradições, com manifestações políticas e homenagem à Nossa Senhora de Nazaré.

Círio destaca convivência entre religiões e identidade paraense em Belém
Foto: Anna Virginia Balloussier/TV Folha

A presença de pessoas de diferentes religiões esteve entre as marcas do Círio de Nazaré neste domingo (11). Embora a celebração seja católica e dedicada à padroeira local, participantes evangélicos também acompanharam os cortejos e defenderam o respeito entre as tradições religiosas.

Luiza Gomes, 53, esteticista da Congregação Cristã do Brasil, pedalou em uma ciclo-romaria até Belém. “Se a gente quer que nossa religião seja respeitada, tem que respeitar a do outro”, disse.

A procissão percorreu 3,6 km. A imagem de Nossa Senhora de Nazaré foi levada em uma berlinda dourada, ornamentada com flores fúcsia e cor-de-rosa, enquanto milhares de promesseiros puxavam uma corda feita de fibra de malva.

Fé como experiência coletiva

A celebração é formada por várias romarias, realizadas de barco, de moto e a pé. Em Belém, são esperadas 2 milhões de pessoas durante os dias de cortejos e missas. No Norte, 36,8% da população com dez anos ou mais se declara evangélica, ante 26,9% na média nacional, conforme o Censo 2022.

Savanna, 26, participou pela primeira vez da corda depois de fazer uma promessa pela saúde da mãe, que é evangélica e tem diabete. Exames posteriores apresentaram taxas de glicose normais, e ela foi agradecer a Nossa Senhora de Nazaré. No dia anterior, a drag queen havia participado da Chiquita, festa LGBTQIA+ realizada na noite anterior ao domingo de Círio.

A programação começou com uma missa na Catedral Metropolitana, conduzida por dom Júlio Endi Akamine, arcebispo de Belém. Na celebração, ele afirmou que a submissão feminina mencionada na Bíblia não significa que a mulher deva ser escrava. Também disse que a procissão seria lenta porque os fiéis deveriam chegar juntos até Jesus Cristo.

Artistas paraenses participaram da programação. Fafá de Belém cantou para a multidão e afirmou: “Que Nossa Senhora nunca seja afastada de nós, nem por decreto. Nossa Senhora é do Brasil!”. A declaração foi associada às falas de Flávio Bolsonaro (PL), que havia sido acusado, sem provas, de defender a retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.

Gaby Amarantos apresentou músicas tradicionais do Círio em sua Laje da Naza. Nas apresentações das duas cantoras, o público acompanhou canções como “Ave Maria” e “Noites Traiçoeiras”. No sábado (10), durante a transladação, Gaby disse que Nazaré é a mãe de todos, incluindo LGBTs, mulheres, ricos e pobres.

Tradição e identidade regional

A chuva no fim da tarde não dispersou a multidão. A devota Carla Sousa, 61, resumiu a experiência ao chamar a chuva de bênção.

Antonio Sousa, coordenador da 234ª edição do Círio, relacionou a força da festa à união entre fé e identidade regional. A fibra de malva usada na corda é fornecida por mais de mil famílias de agricultores locais. Para ele, a devoção é herdada e ligada à identidade, mas também é vivida como experiência coletiva, sem se limitar a uma disputa religiosa.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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