SÃO PAULO — A história do monumento e da cripta será apresentada na exposição inaugural “Representações da Nação: O Monumento à Independência e a Cripta Imperial”, que acompanha a reabertura do espaço no Parque da Independência, no Ipiranga, zona sul de São Paulo. A mostra tem curadoria da historiadora Marly Rodrigues e reúne painéis produzidos a partir de um concurso internacional promovido pela prefeitura.
A exposição aborda a idealização das estruturas e o papel que desempenham na construção de marcos cívicos. Para o arquiteto e escritor Paulo Rezzutti, responsável pelo texto de abertura, “Finalmente temos esse espaço de volta e podemos receber as pessoas que têm curiosidade sobre a história do Brasil”.
Obras no monumento
A Cripta Imperial ficou fechada desde o final de 2022. As reformas estruturais e o restauro custaram R$ 5,3 milhões, conforme a Secretaria de Cultura da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB). O investimento também alcançou itens e estruturas do acervo do Museu da Cidade de São Paulo.
O projeto incluiu novos banheiros, sistema de ar-condicionado e medidas de acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida. O bronze dos sarcófagos imperiais foi restaurado, e o teto recebeu fechamento com mármore amarelo. Também foram feitas a limpeza da área externa do monumento e intervenções de pintura e reparo de trincas na Casa do Grito.
A construção de taipa de mão próxima ao monumento é associada ao 7 de Setembro por sua semelhança com uma casa representada na obra “Independência ou Morte”, de Pedro Américo (1843-1905). Na sepultura de dom Pedro 1º, foi preservada a inscrição: “Pedro 1º, fundador do Império constitucional e defensor perpétuo do Brasil.”
Três figuras do Império
A cripta abriga os restos mortais de dom Pedro 1º, da imperatriz Maria Leopoldina e da imperatriz Dona Amélia. Maria Leopoldina foi a primeira a ocupar o local, depois de ser transferida do Rio de Janeiro durante as celebrações do quarto centenário de São Paulo.
Os restos de dom Pedro 1º chegaram em 1972, no Sesquicentenário da Independência, após acordo com o governo português. O corpo foi transportado de navio e passou por várias capitais estaduais brasileiras; o coração permanece no Porto. Dona Amélia foi trazida de Lisboa em 1982, depois de permanecer desde 1972 no Panteão dos Braganças.
A partir de terça-feira (8), a visitação ocorrerá de terça a domingo, das 9h às 17h. Na reabertura, uma fila se formou no acesso ao mausoléu. O orientador socioeducativo Rodrigo Machado, 32, afirmou que a reforma era necessária. A costureira Tânia Santana, 62, disse que frequenta o parque diariamente e esperava conhecer o resultado das obras.


