APARECIDA — Depois de enfrentar um transplante de medula óssea, complicações e uma internação na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), a aposentada Mariluza de Almeida, 66, conseguiu chegar ao Santuário Nacional para agradecer diante da imagem de Nossa Senhora Aparecida. Com dificuldade para andar e usando máscara por orientação médica, ela precisou se sentar durante a visita para descansar.
Moradora do Núcleo Bandeirante (DF), Almeida saiu de Brasília no sábado (10) e passou 18 horas em um ônibus. Depois, ficou na casa de uma amiga em Mogi das Cruzes (SP) e acordou de madrugada para seguir até o santuário. O procedimento havia sido feito com a própria medula, mas as plaquetas demoravam a subir.
"É a fé, né? É o que nos move", afirmou. A mãe, já falecida, visitava Aparecida sem conseguir levá-la. A amiga que a hospedou também havia ido ao santuário quando Almeida estava doente. Desta vez, ela própria conseguiu fazer a viagem.
Espera sob chuva
Na segunda-feira (12), dia da padroeira do Brasil, a fila para chegar aos pés da imagem atravessava o pátio do santuário. O acesso concentrava a maior espera, com devotos que haviam dormido no local e visitantes que continuavam chegando em caravanas.
Bebês, crianças, adolescentes e idosos aguardavam também em áreas fora das tendas, sob a chuva. No pátio, romeiros carregavam terços, bandeiras e imagens de Nossa Senhora, enquanto orações e músicas dedicadas a Maria acompanhavam o avanço da fila. Grupos rezavam em agradecimento pela viagem, e o Pai-Nosso era recitado em voz alta.
A movimentação continuou a peregrinação registrada no domingo (11) na rodovia Presidente Dutra. Grupos caminharam até Aparecida para cumprir promessas e agradecer. A estudante Maria Júlia Correia Novaes, 20, veio de Maringá (PR) e esperava havia duas horas para chegar diante da santa. Ela viajou para agradecer pelas graças recebidas e não levava um pedido específico.
Vanilda Costa Lopes, 36, nascida na Bahia e moradora de São Paulo há 18 anos, costuma visitar Aparecida a cada quatro ou seis meses com a mãe. Na primeira viagem em um 12 de outubro, calculou que a espera poderia passar de três horas. Em outras ocasiões, levava aproximadamente cinco minutos para chegar à imagem.
Outros percursos
Além das missas e da visita à imagem, fiéis acenderam velas no velário e usaram o teleférico para chegar ao Morro do Cruzeiro. O jornalista Mauro Lúcio, 30, de Viçosa (MG), esteve no santuário com a mulher e o filho Nicolas, na primeira visita da família.
O grupo organizou a viagem seis meses antes, por meio de um grupo do WhatsApp. A família saiu de Viçosa ao meio-dia de domingo (11), chegou à meia-noite, dormiu no ônibus e planejava retornar nesta segunda, às 15h. Depois de conhecer o santuário e passear de bondinho, os três ainda pretendiam enfrentar a fila para visitar a imagem.
De São José dos Campos (SP), Daniele Silva, 28, descansava deitada no chão antes de continuar. Ela não conseguiu concluir o percurso a pé e usou um carro do aplicativo Uber em Roseira (SP) até Aparecida. Exausta, aguardava os demais integrantes do grupo para assistir à missa.


