SÃO PAULO — Peregrinos seguiram pela rodovia Presidente Dutra em direção ao Santuário Nacional, em Aparecida, na véspera do Dia da Padroeira, celebrado nesta segunda-feira (12). Entre os grupos, predominavam camisetas com a imagem de Nossa Senhora Aparecida, bandeiras, imagens e terços. Os romeiros ouvidos relataram promessas e agradecimentos, sem mencionar política.
O movimento ocorreu sob calor intenso. Motoristas de carros e caminhões buzinavam para incentivar os caminhantes, enquanto pontos de apoio ofereciam comida, descanso e atendimento para ferimentos nos pés. As estruturas também tinham músicas dedicadas à santa e espaço para dormir.
O pintor Diego da Silva Carneiro, 32, parou na cidade paulista de Santa Isabel durante o trajeto. Ele havia saído do Mercadão da Lapa, na zona oeste da capital, às 10h de sábado (10), para cumprir uma promessa relacionada à saúde da mulher e do filho. Durante a gravidez, ouviu que os dois corriam risco e prometeu fazer o percurso a pé. Pietro Valentim tem hoje dois anos e cinco meses.
“Eu tenho que pagar minha promessa”, disse Carneiro. Morador de Presidente Venceslau, ele estava havia três meses na capital para ajudar o pai no trabalho. O pai, também pintor, fazia uma promessa relacionada à compra de um sítio.
No Rancho da Pamonha, Maria Rita Perillo, 55, preparava café e alimentos para os romeiros. Funcionária do local há dez anos, participa do apoio há nove. Com doações, o espaço oferece café, pão, manteiga, frutas, refeições e abrigo para quem precisa descansar.
A enfermeira Ana Paula de Lima participa da peregrinação há dez anos. Ela começou a caminhar depois de pedir ajuda à santa para recuperar o dinheiro usado na compra de uma casa. Desde então, passou a se preparar para o percurso e afirma que conseguiu chegar sem dores nem bolhas.
Promessas e atendimento
Luis Felipe, 19, fazia o percurso pelo terceiro ano, usando um chapéu com dois pequenos ventiladores para enfrentar o calor. O irmão, de 15 anos, participava pela primeira vez. A amiga Bianca Mauriti, 18, também caminhava pela primeira vez após prometer ir a Aparecida caso conseguisse um emprego. A mãe dela, Ágata Mauriti, 42, acompanhava a filha para agradecer.
Voluntários cuidavam de bolhas, curativos e outros ferimentos. Ivani Gomes de Souza, 50, de Mogi das Cruzes, começou o trabalho neste domingo, com a irmã e a sobrinha. O grupo atendeu pessoas com bolhas nos pés, ferimentos no joelho e cortes na mão. Os materiais foram doados.
Uma romaria de Suzano, que havia saído na sexta-feira (9), carregava uma bandeira de Nossa Senhora Aparecida. O coordenador Elyton Queiroz, 41, disse que o grupo começou com seis pessoas e, no sétimo ano, reunia 108 participantes.
O projetista mecânico Marcos Henrique de Oliveira Silva, 38, participava pela quinta vez. Ele começou por uma promessa relacionada ao filho e voltou nos anos seguintes para agradecer pela saúde e pelas conquistas.
O sociólogo Vilela Júnior, 46, de São José dos Campos, iniciou a caminhada aos 17, depois de ver romeiros passarem pela paróquia. Ele costuma sair à meia-noite de 11 de outubro, chegar a Aparecida no mesmo dia e participar da missa do dia 12. Para ele, o percurso é um retiro de oração.
Ao longo dos acostamentos, havia restos de frutas, alimentos e embalagens. Quem concluía a caminhada podia montar barracas em uma área liberada pelo Santuário Nacional e passar a noite antes das missas.
O aposentado Benedito Rodrigo Barbosa, 72, saiu a pé de Bonsucesso, em Guarulhos, na quinta-feira (8), e chegou a Aparecida na manhã deste domingo. Ele afirma ter feito o percurso 37 vezes ao longo de aproximadamente 35 anos. Nesta segunda-feira, pretende assistir a uma das primeiras missas antes de voltar para casa, de carro, com a mulher.


