SÃO PAULO — A Polícia Científica de São Paulo recusou a perícia de celulares, notebooks e pendrives apreendidos na investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse. Os peritos constataram falhas nos lacres e nas embalagens, que permitiam a passagem de um cabo USB e, em alguns casos, a retirada dos dispositivos.
O problema atingiu 13 embalagens com celulares e notebooks. Conforme termo elaborado pelo Instituto de Criminalística e anexado ao processo, as aberturas possibilitavam a introdução de objetos ou vestígios no interior dos invólucros. A perita criminal Viviane Fleitas Menezes registrou que também havia espaço para a entrada de cabos de alimentação e transferência de dados.
Nos pendrives, quatro embalagens apresentavam abertura suficiente para a retirada dos aparelhos. Diante das condições do material, os peritos não realizaram os exames e devolveram os equipamentos à Polícia Civil.
Readequação dos lacres
A operação policial ocorreu em 1º de junho. Os equipamentos foram encaminhados pela Polícia Civil ao Instituto de Criminalística em 3 de junho, dois dias depois. Após a devolução, em 8 de junho, o escrivão Mauro Sergio Gagliotti determinou a substituição das embalagens e a aplicação de novos lacres.
O procedimento foi justificado pela necessidade de preservar a integridade dos objetos e manter a cadeia de custódia antes de um novo envio à perícia. Essa cadeia registra o percurso de uma evidência desde a apreensão até a análise e eventual utilização no processo.
A Polícia Científica informa que aparelhos eletrônicos, materiais de informática e objetos relacionados à telemática estão entre os itens submetidos a exames periciais. O documento não aponta responsáveis pela falha e não há conclusão de que os dispositivos tenham sido manipulados ou que seus dados tenham sido apagados ou alterados.
Investigação no STF
Os equipamentos fazem parte da apuração sobre a movimentação de recursos envolvendo o Instituto Conhecer Brasil, o programa Wi-Fi Livre SP e empresas relacionadas à produção de Dark Horse. A Polícia Civil e a Polícia Federal examinam pagamentos e subcontratações, incluindo transferências feitas pelo instituto a empresas ligadas ao filme.
A investigação relacionada ao financiamento da produção tramitava no Supremo Tribunal Federal sob a relatoria do ministro André Mendonça. Em agosto, os advogados de Karina Ferreira da Gama, dona da produtora Go Up Entertainment, pediram ao ministro a suspensão da apuração conduzida pela Polícia Civil de São Paulo e a transferência do caso para o STF.
Não há informação pública que atribua a Mendonça participação na apreensão, no acondicionamento ou no transporte dos aparelhos. A relação com o ministro está no destino judicial da investigação. Permanece sem resposta se a falha foi apenas um erro de procedimento ou se houve acesso aos dispositivos antes da perícia.


