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Dez corintianos vão a júri por mortes na Batalha da Inajar

Acusados de matar dois palmeirenses em 2012, torcedores serão julgados no Fórum da Barra Funda, em São Paulo.

Dez corintianos vão a júri por mortes na Batalha da Inajar
Foto: Folhapress

Dez torcedores do Corinthians começam a ser julgados nesta segunda-feira (5) pela acusação de envolvimento nas mortes de André Alves Lezo, 21, e Guilherme Vinicius Jovanelli Moreira, 19, integrantes da Mancha Alvi Verde. O confronto ocorreu em março de 2012, na avenida Inajar de Souza, na zona norte da capital, e ficou conhecido como Batalha da Inajar.

O júri será realizado no Fórum da Barra Funda, na zona oeste, e tem previsão de terminar na sexta-feira (9). Por segurança, a juíza responsável proibiu no plenário roupas de clubes e de torcidas organizadas. Mais de 30 réus e testemunhas foram intimados.

Réus e andamento do processo

Respondem à acusação Antonio Alan Souza Silva, conhecido como Donizete e então presidente dos Gaviões da Fiel; Mario Batista, o Magoo; Reinaldo Gilberto Alves, o Ade; Carlos Roberto de Britto Junior, o Neguinho; Douglas de Deungaro, o Metaleiro; Rodrigo Reinaldet Daher, o Capetinha; Rodrigo de Azevedo Lopes Fonseca, o Diguinho; Marcelo Eduardo Rodrigues Sales, o Ninja; Wagner da Costa, o BO; e Mario José Carneiro Pieroni.

Metaleiro, Diguinho e BO também ocuparam a presidência da torcida. Durante a investigação, todos negaram envolvimento nos crimes e disseram não ter planejado a briga.

A demora para a realização do júri foi relacionada a recursos apresentados pelas defesas, pedidos de laudos, análise de materiais apreendidos e à quantidade de investigados. Em decisão que levou o grupo a julgamento, a Justiça afirmou que os acusados teriam contribuído para os homicídios e estariam associados, desde período não determinado, com a finalidade específica de cometer crimes.

O processo foi dividido. Nove outros réus, todos palmeirenses, respondem por associação criminosa e ainda não têm data definida para o julgamento.

As defesas de Antonio Alan, Mario Batista e Reinaldo Gilberto informaram que não comentariam o caso. Os demais defensores não responderam às tentativas de contato feitas entre quinta-feira (1º) e sexta-feira (2). Os Gaviões disseram que não se pronunciariam, enquanto a presidência da Mancha Alvi Verde não respondeu às mensagens.

O confronto na avenida

A briga reuniu cerca de 500 pessoas por volta das 10h de 25 de março. A investigação da Polícia Civil apontou que o episódio teria sido uma retaliação pela morte do corintiano Douglas Karin da Silva, 27, encontrado no rio Tietê em 29 de agosto de 2011.

Palmeirenses haviam se reunido na avenida Inajar de Souza antes de seguir para a rua Turiassu, onde fica o estádio do Palmeiras. De lá, pretendiam caminhar escoltados até o Pacaembu, local do jogo. Segundo o inquérito, corintianos se concentraram em diferentes pontos da cidade e foram levados por dois ônibus até a avenida.

Os integrantes da Mancha estavam perto do fim da via, na altura da rua Antônio de Couros, quando foram surpreendidos. Conforme as informações reunidas no processo, os corintianos usavam toucas feitas de meia-calça e carregavam barras de ferro, pedaços de madeira, fogos de artifício e bombas caseiras. O processo tem 10 mil páginas.

Duas viaturas do 18º Batalhão da PM acompanhavam os palmeirenses. Um policial relatou que os grupos trocaram ofensas e permaneceram frente a frente por alguns minutos. A fumaça dos fogos dificultou a intervenção dos soldados.

André sofreu vários golpes de barra de ferro na cabeça e morreu na noite de domingo, no Hospital da Vila Nova Cachoeirinha. Vinicius, que também ficou gravemente ferido, morreu na terça-feira (27), no Hospital São Camilo, na Pompeia.

Depois do confronto, houve buscas, apreensões e pedidos de prisão. Mancha e Gaviões foram impedidas de levar aos estádios faixas, bandeiras, instrumentos ou roupas associadas às torcidas.

Disputa e medidas posteriores

A avenida Inajar de Souza, que liga o Jardim Peri à ponte da Freguesia do Ó, continuou sendo usada em marchas de torcedores e em demonstrações de força entre Gaviões e Mancha. Em dias de clássico, integrantes das organizadas ainda procuram a região para marcar território.

O delegado Cesar Saad, responsável pela Drade, criada em 2014, afirmou: “A Inajar de Souza foi uma tragédia que permanece na memória pela perda de vidas e pela dor das famílias”.

Os ciclos de conflitos levaram à adoção, em 2016, das torcidas únicas nos estádios durante clássicos no estado. O modelo continua vigente. Naquele ano, José Silva Batista de Carvalho, 53, morreu após ser atingido por uma bala perdida durante uma briga entre corintianos e palmeirenses em São Miguel Paulista, na zona leste.

Também houve confronto na avenida do Estado, em fevereiro de 2023, quando um ônibus dos Gaviões foi atacado por torcedores palmeirenses. Saad atribui a redução de episódios semelhantes ao uso de tecnologia, à legislação e ao diálogo entre autoridades, forças de segurança, clubes e torcidas. “Temos mais instrumentos para prevenir conflitos e construir uma cultura de paz”, disse.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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