SÃO PAULO — O Ministério Público abriu uma apuração sobre o projeto da Linha 20-Rosa do Metrô, prevista para ligar a zona oeste de São Paulo ao ABC Paulista. O procedimento preparatório de inquérito civil está em fase inicial e sob sigilo.
O Metrô informou ter enviado esclarecimentos e afirmou que considera o traçado preliminar o de maior viabilidade. O projeto básico deve ser entregue no primeiro trimestre de 2027, etapa que permitirá a contratação das obras de implantação. A previsão é de uma linha com 32 quilômetros e 24 estações, ligando a Lapa a Santo André e passando também por Saúde, Cursino e São Bernardo do Campo.
Divergência sobre o percurso
Apresentado em 2023, o projeto enfrenta oposição de associações de bairro. A principal crítica é que o traçado atravessa parte de Pinheiros e dos Jardins, em vez de concentrar mais estações na avenida Brigadeiro Faria Lima, na zona oeste.
A mobilização é liderada pela Ame Jardins e por outras organizações. O grupo defende um percurso pela Faria Lima com cinco estações, enquanto a alternativa escolhida prevê duas na avenida, além de paradas em Pinheiros e na Vila Madalena. Para conectar esses pontos, a linha passaria pelos Jardins.
As associações contrataram um estudo da consultoria de Sergio Avelleda, ex-presidente do Metrô, para contestar o material apresentado pela companhia. A opção defendida pelo grupo prevê que a estação Faria Lima, no largo da Batata, faça a conexão da Linha 20-Rosa com outras linhas, em vez da estação Fradique Coutinho. O percurso atualmente previsto teria paradas na Faria Lima próximas ao parque do Povo e à avenida Hélio Pellegrino.
O presidente da Ame Jardins, Fred Affonso Ferreira, afirmou que a mobilização busca um “projeto de cidade” e negou que o foco seja evitar desapropriações. Parte dos moradores de Pinheiros e da Vila Madalena também se opõe ao traçado, pelo potencial de estimular a verticalização no entorno. Uma carta contra uma estação na rua Girassol foi apresentada ao Conselho Participativo Municipal de Pinheiros no ano passado.
Áreas previstas para desapropriação
As desapropriações nos Jardins estão concentradas em dois trechos. O principal é a expansão da estação Fradique Coutinho, com acesso pela avenida Rebouças. Também está previsto um poço VSE, sigla para Ventilação e Saída de Emergência, na alameda Gabriel Monteiro da Silva.
O projeto previa inicialmente dois poços de ventilação na área tombada dos Jardins. Após um remanejamento em 2024, restou um ponto, localizado em trecho comercial. Órgãos de patrimônio indicaram que a ampliação da estação deverá considerar a “ambiência e paisagem do bairro”.
A expansão da estação Fradique Coutinho deverá levar à desapropriação de cerca de 7,5 mil m² na área tombada do Jardim Paulistano. Desde o começo do ano, proprietários de imóveis em áreas destinadas a futuras desapropriações vêm sendo notificados. A maioria das declarações de utilidade pública necessárias foi publicada em 2025.
Justificativas do Metrô
Luiz Antonio Cortez Ferreira, gerente de Planejamento do Metrô, disse que o volume de lançamentos imobiliários inviabilizou a criação de mais paradas na Faria Lima. Segundo ele, a demanda identificada está ligada principalmente à conexão com o corredor de ônibus da Rebouças, e o trecho escolhido está consolidado.
O estudo de impacto ambiental de 2023, encomendado pelo Metrô, já previa desapropriações na Rebouças e na Sampaio Vidal. O documento reconhecia que o traçado deixaria de atender a área de maior concentração de empregos da avenida Faria Lima.
Ferreira também afirmou que a linha passará a 40 metros de profundidade e que foram previstas intervenções para evitar vibrações. O Metrô estima oito anos de obras. A licença ambiental prévia foi obtida em 2024, e a última estimativa divulgada aponta 1,2 milhão de passageiros por dia.


