ITAPECERICA — A produção de café da fazenda de Vitor Penido de Barros ganhou uma nova etapa com a criação do Café Cumbré, marca criada por sua neta, Letícia Barros. Os grãos são cultivados, colhidos e torrados em Itapecerica, no Centro-Oeste de Minas Gerais, e chegam ao consumidor associados à trajetória da família e ao território onde são produzidos.
A marca começou há apenas 4 meses, depois que Letícia decidiu deixar a atuação como consultora tributária e se aproximar da rotina da fazenda. Vitor produz café há cerca de 15 anos, está em Itapecerica há mais de 35 anos e mantém uma propriedade que emprega mais de 70 pessoas. “Posso dizer que pausei a carreira tributária e pousei ao lado do meu avô”, afirmou Letícia.
Da produção ao café especial
A mudança começou há cerca de um ano e meio, quando Letícia passou a estudar a qualidade dos grãos da propriedade. Com apoio da Emater e de um agrônomo, ela se aprofundou em processos de produção, avaliação e classificação. Também fez cursos de gestão estratégica no agronegócio, estudou cafés especiais em Belo Horizonte e participou de um curso de torra na Academia do Café.
Embora o café já tivesse boa avaliação da cooperativa para comercialização e exportação, Letícia buscou identificar se a produção poderia alcançar outra classificação. Como a fazenda não contava com todo o maquinário exigido pelos protocolos internacionais, ela procurou parceiros e produtores de outras cidades.
Em Bom Sucesso, no Sul de Minas, parte dos grãos passou por limpeza, retirada de pedras, folhas e outros materiais e foi submetida a uma avaliação detalhada. Em dezembro de 2025, essa parcela recebeu a classificação de café especial. “Aquele mesmo café da fazenda do meu avô”, disse Letícia ao recordar a descoberta.
A partir desse resultado, ela decidiu criar uma marca própria. O Café Cumbré utiliza exclusivamente grãos da propriedade de Vitor. A produção, a colheita e a torra são realizadas em Itapecerica, em uma cadeia ligada ao município e à família.
Tradição familiar e produção artesanal
A iniciativa também pretende mostrar a outros produtores de Itapecerica a possibilidade de comercializar cafés diretamente ao consumidor, sem depender exclusivamente das cooperativas. Na fazenda, a casca do café é reaproveitada na alimentação das vacas, e o adubo retorna ao cafezal.
O nome Cumbré foi inspirado em cumbre, palavra em espanhol que significa cume. A escolha homenageia as avós de Letícia, que têm origem espanhola, e associa a marca ao topo de uma montanha.
A empresária não pretende transformar o café em uma marca de grande volume. A proposta é preservar o caráter artesanal e a ligação com a história da produção. Entre os planos estão a criação de um comércio eletrônico próprio e a possibilidade de levar a marca ao Mercado Central de Belo Horizonte.
Atualmente, as redes sociais são o principal canal de divulgação e venda. O café também começou a aparecer em eventos, como o Festival de Gastronomia de Itapecerica. Para Letícia, a bebida deve manter a relação com a fazenda, com o trabalho da família e com o tempo dedicado ao preparo de um café coado.


