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Política

Redes impulsionam votações no Ceará, mas especialistas veem limites para influência digital

André Fernandes e Tancredo dos Santos lideraram disputas no estado, enquanto pesquisadores apontam o peso de recursos e alianças tradicionais.

Redes impulsionam votações no Ceará, mas especialistas veem limites para influência digital
Foto: Davi Rocha; Câmara de Fortaleza

A presença digital não explica sozinha o resultado das eleições de 2026 no Ceará. Embora candidatos com forte atuação nas redes tenham liderado disputas para a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), especialistas ressaltam que recursos de campanha, alianças e estruturas políticas continuam influenciando o desempenho nas urnas.

André Fernandes (PL-CE) foi reeleito para o segundo mandato na Câmara dos Deputados com mais de 684 mil votos, a maior votação entre os deputados federais do Ceará e do Nordeste neste ano. O parlamentar também aparece na décima posição entre os políticos brasileiros mais influentes no Instagram em 2026, conforme estudo da Zeeng divulgado em julho. Em consulta realizada na última sexta-feira (9), ele tinha mais de 3 milhões de seguidores.

Na disputa pela Alece, Tancredo dos Santos (PL), apoiado diretamente por Fernandes, obteve mais de 151 mil votos e foi o deputado estadual mais votado do ano. Ele acumulava 641 mil seguidores no Instagram na mesma data.

Diferentes estratégias no ambiente digital

O resultado também incluiu candidaturas de esquerda com atuação associada à internet. Gabriel Biologia (Psol), vereador de Fortaleza, foi o segundo mais votado para a Assembleia do Ceará, com 141 mil votos, cerca de 9 mil a menos que Tancredo. No Instagram, reunia 232 mil seguidores. Em 2024, havia sido o segundo mais votado para a Câmara de Fortaleza, com 30.682 votos.

Leo Suricate (Psol), outro nome conhecido na internet antes da candidatura, foi eleito para a Alece como o 40º mais votado, atrás de nomes ligados a grupos políticos tradicionais do Ceará.

No ranking da Zeeng, a deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) ocupava a quarta posição entre os mais influentes do Instagram em 2026. O presidente Lula (PT) e o deputado federal André Janones (Rede-MG) também apareciam entre os 20 primeiros.

Carla Quaresma, cientista política que pesquisa Marketing Eleitoral, afirma que a direita soube explorar as novas mídias para alcançar públicos que se afastaram dos meios tradicionais. Para ela, essas candidaturas identificaram formatos e linguagens próprios das plataformas digitais.

Monalisa Soares, cientista política e integrante do Laboratório de Estudos sobre Política, Eleições e Mídia (Lepem) da Universidade Federal do Ceará (UFC), avalia que a direita desenvolveu estratégias mais compatíveis com o funcionamento dessas plataformas. “Não é meramente ser influencer e automaticamente ser eleito”, afirma.

Influência não substitui a política tradicional

Segundo Monalisa, a conversão de visibilidade em votos depende também de recursos econômicos, apoios de lideranças e outras formas tradicionais de organização política. Ela ressalta que nem todo candidato ou influenciador com destaque nas redes consegue se eleger.

A diferença aparece entre os próprios candidatos com presença digital. Na eleição para a Câmara, Célio Studart (PSD) terminou na 13ª posição entre os mais votados, enquanto Carmelo Neto (PL) ficou em 22º. André Fernandes, por sua vez, liderou a lista.

Para Wagner Borges, professor de Jornalismo e Marketing Político na Universidade de Fortaleza (Unifor), direita e esquerda usam as redes com narrativas diferentes, mas a tecnologia não pertence a um único campo. Ele afirma que as plataformas favorecem mensagens e formas de interação específicas, o que pode reduzir o espaço para conteúdos mais complexos.

Efeitos sobre o debate público

Os pesquisadores também apontam efeitos da dinâmica digital sobre a democracia. Carla Quaresma vê risco de esvaziamento do debate político quando as campanhas priorizam espetáculo e entretenimento. “No final da campanha, o que fica é somente o lúdico, o entretenimento que foi feito pelas campanhas eleitorais”, diz.

Wagner Borges considera que a velocidade e a cultura dos recortes dificultam a reflexão e empobrecem o debate público. Monalisa Soares, por outro lado, afirma que o principal desafio está em não confundir capacidade de atrair atenção com representação política efetiva.

Para a pesquisadora, políticos com grande visibilidade precisam prestar contas dos mandatos para além da atuação nas redes, incluindo a análise de projetos apresentados e aprovados. Ela também avalia que todos os agentes políticos terão de compreender como as plataformas participam da circulação de mensagens e da formação de identidades políticas, sem que isso signifique transformar todos em influenciadores.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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