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ONU propõe proteção internacional para dados cerebrais diante do avanço da neurotecnologia

Relatório recomenda tratar pensamentos como dados pessoais altamente sensíveis e exigir consentimento no uso dessas tecnologias pela Justiça.

ONU propõe proteção internacional para dados cerebrais diante do avanço da neurotecnologia
Foto: Francesca Jones/New York Times

O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que o avanço das neurotecnologias pode permitir que governos acessem ou manipulem o cérebro das pessoas, criando riscos para direitos humanos fundamentais. O alerta foi feito nesta quinta-feira (8), em um relatório dedicado ao uso dessas ferramentas na administração da Justiça.

O documento aponta que a aplicação de neurotecnologias em investigações, tribunais e prisões pode resultar em detenções arbitrárias, alterações dos estados mentais e violações da privacidade. Entre as recomendações estão a criação de normas compatíveis com o direito internacional, o reconhecimento dos pensamentos como dados pessoais altamente sensíveis e a exigência de consentimento explícito no sistema de Justiça criminal.

"A neurotecnologia, incluindo suas formas novas e emergentes, apresenta desafios profundos aos direitos humanos quando aplicada à administração da Justiça", escreveu Guterres.

Proteção de dados neurais

Jeremy Laurence, porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da ONU, afirmou que o relatório pode ajudar os países a criar regras antes que essas tecnologias se tornem comuns em investigações, tribunais e prisões. Para representantes da área, a proposta amplia o entendimento sobre liberdade de pensamento ao incluir o direito de manter em sigilo as ideias mais íntimas.

O movimento internacional para proteger dados cerebrais já produziu medidas em diferentes países. Em 2012, o Chile incluiu na Constituição garantias para a proteção da atividade cerebral. Nos Estados Unidos, Califórnia, Colorado e Montana aprovaram leis sobre dados neurais. Propostas semelhantes foram apresentadas na Argentina, no Brasil, na Colômbia e no México.

Na Índia, a polícia utiliza há duas décadas o BEOS, sigla em inglês para Perfil de Assinatura de Oscilação Elétrica Cerebral. A tecnologia analisa ondas cerebrais para tentar determinar se um suspeito participou de um crime. As evidências científicas são escassas, e os resultados não são aceitos como provas nos tribunais indianos. Em 2008, um comitê do governo avaliou o método como "abaixo do ideal".

Uso comercial e clínico

Parte das neurotecnologias é comercializada em dispositivos vestíveis voltados à saúde e ao bem-estar. Esses produtos podem monitorar estresse, sono e concentração, mas especialistas alertam que estão submetidos a poucas regras.

A Neurorights Foundation analisou, em 2024, as políticas de privacidade de 30 empresas do setor voltadas ao consumidor. A maioria não estabelecia limites para o uso dos dados cerebrais dos clientes, e mais da metade permitia expressamente o compartilhamento dessas informações com terceiros.

As ferramentas também têm aplicações clínicas. Interfaces cérebro-computador já ajudaram pessoas com paralisia a escrever frases ao imaginar o movimento da escrita, movimentar membros robóticos e jogar xadrez on-line apenas com o pensamento.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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