A repetição do sangramento nasal é um dos principais sinais de que a causa precisa ser investigada. Embora a epistaxe geralmente não indique um problema grave, episódios recorrentes podem estar ligados a rinite alérgica, sinusite crônica não tratada, desvio de septo, hipertensão arterial não controlada e distúrbios de coagulação. Em situações menos frequentes, também podem ter relação com tumores nasais ou dos seios da face.
O atendimento médico é indicado quando o sangramento não cessa após 15 a 30 minutos de compressão, quando é muito intenso ou quando volta a ocorrer. A avaliação também deve ser procurada se houver manchas roxas pelo corpo, sangramentos em outras regiões, obstrução nasal ou histórico familiar de distúrbios de coagulação.
Quando o quadro pode ser mais grave
A epistaxe posterior surge em uma região profunda do nariz e tende a provocar sangramento intenso, com possibilidade de perda significativa de sangue. Nesses casos, é necessário atendimento de emergência. O médico do Einstein Hospital Israelita explica que esse tipo de ocorrência normalmente pode exigir cirurgia para localizar o ponto do sangramento e fazer a ligadura da artéria, a cauterização elétrica do vaso ou os dois procedimentos.
Já a epistaxe anterior aparece na parte da frente do nariz, onde há muitos vasos sanguíneos frágeis. Segundo o otorrinolaringologista Pedro Wey, esse tipo corresponde a cerca de 90% dos casos e, em geral, é mais simples de controlar. Quando necessário, o médico pode fazer cauterização química e indicar pomadas ou géis para manter a mucosa hidratada. Também podem ser tratados problemas associados, como rinite, sinusite e ressecamento nasal.
Como agir durante o sangramento
A pessoa deve se sentar e inclinar levemente a cabeça para a frente, não para trás. A orientação é comprimir a parte mole do nariz com os dedos, como uma pinça, por 3 a 5 minutos. O médico Luciano Gregório, da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), afirma: "a cabeça elevada não controla o sangramento e ainda faz com que o líquido escorra para a garganta".
Também pode ser usado algodão nas narinas, com uma substância constritora nasal, além de uma compressa fria sobre o nariz. Depois do episódio, é recomendado evitar assoar o nariz com força nas horas seguintes.
Na maioria das vezes, o sangramento para espontaneamente. Ressecamento da mucosa, resfriados, rinite, sinusite e pequenos traumas estão entre os fatores associados. Clima frio e seco, assoar o nariz com força, traumas locais, uso prolongado de descongestionantes nasais em spray e alterações da pressão atmosférica — como durante mergulhos ou viagens para locais com altitude muito diferente — também podem favorecer o quadro.
Crianças entre 2 e 10 anos estão entre as mais propensas, porque têm a mucosa nasal mais fina e sensível e podem provocar lesões ao colocar o dedo no nariz. Idosos também apresentam maior risco devido à fragilidade dos vasos e ao uso frequente de anticoagulantes e anti-inflamatórios. Manter a mucosa e o ambiente umidificados pode ajudar a prevenir novos episódios, especialmente em períodos de clima seco.


